A confiança dos diretores financeiros (CFOs) na América do Norte em relação às perspectivas de suas próprias empresas atingiu um novo patamar, conforme aponta o levantamento trimestral da Deloitte. O índice de Confiança do CFO subiu para 6,1 no terceiro trimestre de 2026, um avanço em relação aos 5,9 do período anterior e retornando à zona de "alta confiança". Noventa por cento dos entrevistados expressaram otimismo quanto aos resultados financeiros futuros de suas companhias, um indicativo de que a gestão interna e as estratégias corporativas estão sendo vistas de forma positiva.

No entanto, essa maré de otimismo corporativo contrasta fortemente com a percepção sobre o mercado financeiro e a economia em geral. O apetite por risco diminuiu ligeiramente, com 53% dos CFOs considerando o momento propício para assumir maiores riscos, uma queda em relação aos 59% do trimestre anterior. Mais notavelmente, houve um salto expressivo na proporção de executivos que acreditam que o mercado de ações dos EUA está supervalorizado. Atualmente, 83% dos CFOs compartilham dessa visão, um aumento substancial em comparação com os 49% registrados no segundo trimestre. Essa divergência levanta questões sobre as decisões de investimento e alocação de capital.

O Dilema da Supervalorização e o Papel da IA

A percepção generalizada de que as ações americanas estão caras apresenta um paradoxo: se o mercado é visto como supervalorizado, a compra de novos ativos pode não ser a decisão mais objetiva. Ed Hardy, líder de serviços financeiros para os EUA na Deloitte, destacou que, apesar dessa visão, a atratividade do capital próprio permaneceu estável, enquanto a atratividade da dívida aumentou. Essa dinâmica força os CFOs a "buscarem o uso mais eficiente do capital", segundo Hardy. Essa busca por otimização de recursos está intrinsecamente ligada ao crescente investimento em inteligência artificial (IA), que se tornou um foco central tanto como oportunidade quanto como fonte de risco.

IA: O Motor de Oportunidades e Riscos Tecnológicos

A implantação de tecnologias, incluindo a IA generativa, emergiu como uma das principais preocupações internas para os CFOs. Paralelamente, a cibersegurança liderou a lista de riscos externos, mencionada por 50% dos entrevistados. Hardy ressalta a forte interconexão entre esses dois fatores. O avanço da IA, especialmente com o uso crescente de plataformas abertas e modelos de terceiros, tende a intensificar as preocupações já elevadas com a segurança cibernética. A gestão desses riscos, a governança de dados e a proteção contra ameaças digitais tornam-se, portanto, prioridades críticas no cenário atual.

Perspectivas Econômicas e Incertezas Globais

O panorama econômico para os próximos 12 meses na América do Norte, embora tenha apresentado uma leve queda na perspectiva geral, manteve-se relativamente estável em comparação com o trimestre anterior. A inflação, as interrupções na cadeia de suprimentos e a própria conjuntura econômica foram apontadas como as principais preocupações externas, ficando atrás apenas da cibersegurança. É importante notar que a coleta de dados para esta pesquisa ocorreu entre 24 de agosto e 8 de setembro, antes da decisão do Federal Reserve sobre taxas de juros em 16 de setembro. Essa temporalidade deixa em aberto como o sentimento dos CFOs poderá evoluir no próximo trimestre, especialmente após a divulgação de novas políticas monetárias.

Perguntas em Aberto e a Evolução do Papel do CFO

Olhando para o futuro, espera-se que os CFOs continuem a impulsionar a IA, movendo-a de fases experimentais para aplicações mais concretas e fundamentadas. Contudo, desafios como a governança de IA, a adaptação a modelos de precificação baseados em tokens e a mensuração de benefícios tangíveis permanecem como pontos de atenção. O papel do CFO está se expandindo, transformando-o em um "convocador" dentro da empresa, com finanças assumindo uma supervisão mais ampla sobre os custos e resultados associados à IA. A capacidade de navegar por essas complexidades definirá a liderança financeira nos próximos anos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune