Quarenta anos após a conquista histórica da semana de 35 horas, a indústria alemã está pressionando por uma reversão. Grandes conglomerados, incluindo a Mercedes-Benz, defendem abertamente o retorno à jornada de 40 horas semanais, acendendo um debate sensível sobre o futuro do trabalho na maior economia da Europa.

O movimento, que ganhou tração em reportagem do Financial Times, ocorre às vésperas das negociações salariais entre sindicatos e a patronal, previstas para outubro. A tese dos industriais é direta: os custos de mão de obra se tornaram insustentáveis e estão minando a competitividade do país em um cenário global acirrado.

O Custo da Competitividade

Os números sustentam a preocupação do setor. O custo da hora de trabalho na indústria alemã chega a €49,50, um valor 47% superior à média da União Europeia (€33,70). "A mão de obra ficou cara demais aqui para os padrões internacionais", afirmou Martin Brudermüller, presidente do conselho de supervisão da Mercedes-Benz, ao jornal alemão Handelsblatt. Segundo ele, a Alemanha perdeu sua "vantagem de produtividade sobre concorrentes importantes".

O pano de fundo é uma economia industrial que patina. Desde 2018, a produção do setor caiu cerca de 15%, com uma redução de mais de 5% no emprego. Embora a produtividade alemã permaneça alta em comparação com outras nações, o ritmo de aumento dos custos unitários por trabalhador acelerou desde 2023, sugerindo que a eficiência já não compensa o encarecimento da mão de obra.

A discussão vai além de um simples ajuste no relógio de ponto. Ela toca no cerne do modelo social e econômico que definiu a Alemanha no pós-guerra, equilibrando alta produtividade com bem-estar social. A pressão atual testa os limites desse pacto, colocando em lados opostos a necessidade de competitividade global e um direito trabalhista considerado uma conquista fundamental por uma geração.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España