Dois estudantes de Harvard em licença, Sam e Alex, acabam de lançar a Risklytics, uma startup recém-saída do Y Combinator que opera como uma corretora de seguros para um cliente específico: empresas que constroem robôs, drones, sistemas autônomos e satélites.

O movimento expõe uma fratura cada vez mais evidente no mercado. Enquanto a tecnologia de fronteira avança em ritmo exponencial, a indústria de seguros permanece ancorada em modelos de risco do século passado. O resultado é um gargalo para a inovação, onde startups prontas para operar são barradas por não conseguirem a cobertura exigida por seus primeiros clientes.

O 'risco' de usar software CAD

O problema é tão agudo que beira o absurdo. Segundo os fundadores, um de seus clientes teve a apólice negada porque seu fluxo de trabalho incluía o uso de software CAD — um programa de desenho técnico. Para o analista da seguradora, incapaz de avaliar a tecnologia, a resposta mais segura foi simplesmente dizer não. Em outros casos, a cobertura é aprovada, mas contém cláusulas ocultas que a invalidam na prática.

A raiz da questão está em novas cláusulas padronizadas, publicadas por um órgão da indústria chamado ISO, que permitem às seguradoras anular a cobertura para qualquer perda “resultante de IA”. O problema é que a adoção dessas cláusulas é opaca e a definição de IA, vaga. Fica em aberto se o modelo de controle de um robô, que gera comandos de motor, se enquadra na exclusão, criando uma perigosa insegurança jurídica.

De modelo de risco a corretora

A Risklytics não nasceu com a intenção de ser uma corretora. Os fundadores chegaram ao YC com um modelo de risco para incêndios florestais, que pretendiam vender às seguradoras. A resposta foi um “não” polido. A virada veio de uma conversa com um colega de turma do YC que não conseguia segurar seus satélites. A dor era comum a dezenas de outras empresas de hardware.

Em uma semana, a dupla obteve a licença para operar como corretora. A solução é uma plataforma que traduz a tecnologia da startup para a linguagem que as seguradoras entendem, mapeia quais delas adotam as cláusulas de exclusão de IA e oferece transparência no processo. O modelo de negócio é o padrão do setor: uma comissão de 10% a 20% paga pela seguradora, sem custo para a startup.

O surgimento de intermediários como a Risklytics não é um caso isolado. É um sintoma de um desacoplamento entre os setores de tecnologia e finanças tradicionais. Resta saber se as grandes seguradoras conseguirão desenvolver a expertise interna para avaliar esses novos riscos ou se continuarão a terceirizar essa inteligência para uma nova geração de especialistas, que capturam uma fatia do valor no processo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hacker News