O Banco Santander recebeu um importante sinal verde do Banco Central Europeu (BCE) para sua maior aposta recente: a aquisição da Webster Financial. O aval, confirmado pelo CEO Héctor Grisi, destrava uma etapa regulatória crucial na transação de US$ 12,2 bilhões, anunciada em fevereiro.
A operação é um pilar na estratégia da presidente Ana Botín de fortalecer a presença do Santander no mercado americano, buscando uma rentabilidade sobre o capital que se tornou mais difícil de alcançar na Europa. Com o 'sim' do BCE, a atenção se volta agora para o último e decisivo obstáculo regulatório: a Reserva Federal dos Estados Unidos.
O xadrez regulatório
A aprovação do BCE não foi o primeiro, nem será o último, carimbo no passaporte desta transação. Segundo reportagem da Forbes España, a operação já havia recebido o consentimento dos acionistas da Webster em maio e da agência reguladora americana OCC (Office of the Comptroller of the Currency) em junho. A aprovação do supervisor europeu, no entanto, tem um peso especial, validando a estrutura da operação a partir da matriz do banco.
O objetivo por trás do movimento é claro e ambicioso. O Santander projeta que a incorporação da Webster ajude a alcançar uma rentabilidade sobre o capital tangível (ROTE) de 18% em suas operações nos EUA até 2028. A estimativa é que o retorno sobre o capital investido na aquisição seja de aproximadamente 15%, com um impacto positivo de 7% a 8% no lucro por ação no mesmo ano.
O foco em Washington
Apesar do otimismo, o cronograma é longo. O banco espanhol prevê que a aquisição seja concluída apenas no segundo semestre de 2026, o que reflete a complexidade do processo e a pendência do aval da Reserva Federal (Fed). A análise do Fed será a prova de fogo, avaliando não apenas questões de concorrência, mas o impacto da consolidação na estabilidade do sistema financeiro americano.
Para o setor bancário global, o movimento do Santander reforça a tese de que os grandes bancos europeus veem nos Estados Unidos uma fronteira de crescimento e rentabilidade mais atrativa que seus mercados domésticos. A jogada serve de parâmetro para outros players globais, incluindo os grandes bancos brasileiros com ambições internacionais, sobre como o M&A estratégico continua sendo uma ferramenta vital para o reposicionamento geográfico.
Com a bênção de Frankfurt, a jornada de US$ 12,2 bilhões do Santander para se aprofundar na América está mais perto da realidade. Resta saber se Washington compartilhará do mesmo entusiasmo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




