A K3 Investimentos, assessoria de investimentos credenciada à XP, anunciou a contratação de dois executivos seniores do Itaú e do Banco Safra para comandar sua expansão no interior de São Paulo. Com a chegada de Viviane Corazin, ex-Itaú, e Marcelo de Paula, ex-Safra, a empresa abre filiais em Indaiatuba e Campinas, agregando de imediato mais de R$ 3 bilhões em ativos sob custódia. O movimento eleva o volume total administrado pela K3 de R$ 5 bilhões para cerca de R$ 8 bilhões.

O anúncio, reportado pelo InfoMoney, é mais um sintoma da reconfiguração em curso no mercado brasileiro de gestão de patrimônio. Mais do que um simples crescimento de quadro, a movimentação da K3 evidencia a contínua migração de talentos consolidados nos grandes bancos para a estrutura de escritórios independentes. A tese é que o modelo de partnership oferece um alinhamento e um potencial de ganho — o chamado “upside” — que a carreira tradicional, com salários e bônus mais engessados, já não consegue equiparar.

A tese do “pós-muro”

O sócio-fundador da K3, Márcio Marques, descreve o fenômeno como a descoberta de que “existe uma vida muito melhor após esse muro” — uma referência à estabilidade oferecida pelas instituições financeiras tradicionais. A leitura é que profissionais com décadas de carreira, como Corazin (quase 20 anos de Itaú) e De Paula (16 anos de Safra), calculam que o risco de empreender em uma plataforma estabelecida como a da XP é compensado pela possibilidade de ganhos exponenciais e maior autonomia na gestão de clientes.

Este modelo de negócio é o pilar do ecossistema da XP e de outras plataformas abertas. Elas fornecem a infraestrutura, a prateleira de produtos e a marca, enquanto os escritórios associados focam na prospecção e no relacionamento. Para os executivos que migram, a troca é clara: sai-se de uma estrutura hierárquica e com teto de crescimento para um modelo onde a remuneração está diretamente atrelada à performance e à capacidade de atrair e reter capital. É uma proposta de valor que os departamentos de recursos humanos dos grandes bancos têm tido dificuldade em combater.

A interiorização do capital

Outro ponto estratégico na jogada da K3 é a geografia. A escolha por Campinas e Indaiatuba sinaliza a maturação do mercado de assessoria, que se capilariza para além dos grandes centros financeiros de São Paulo e Rio de Janeiro. A expansão mira o capital gerado por empresários e famílias de alta renda em um dos eixos econômicos mais pujantes do país. A K3 não está apenas buscando clientes, mas seguindo o dinheiro para onde ele está sendo gerado e consolidado.

Para viabilizar essa captura, a K3 aposta em um atendimento que transcende a carteira de investimentos. O chamado modelo “360 graus” busca resolver todas as dores financeiras do cliente empresário, integrando soluções para a pessoa física (investimentos, planejamento patrimonial) e para a pessoa jurídica (câmbio, crédito, M&A). É uma abordagem holística que visa criar uma barreira de saída alta, transformando o assessor em um parceiro estratégico indispensável, algo que as estruturas segmentadas dos bancos nem sempre conseguem entregar com a mesma agilidade.

A K3 projeta atingir entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em custódia nos próximos três anos, atuando como uma consolidadora no setor. O sucesso do plano dependerá da capacidade de continuar atraindo profissionais de peso e provar que seu modelo de fato entrega mais valor. Para os bancos tradicionais, o desafio de reter seus principais talentos torna-se cada vez mais complexo e urgente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney