Mark Spitznagel, o gestor do fundo Universa Investments, famoso por suas estratégias de proteção contra eventos de “Cisne Negro”, tem uma mensagem contraintuitiva para o mercado: ele espera um último e intenso rali de euforia nos ativos de risco, para só então dar lugar ao que ele chama de “maior crash que já vimos em nossa vida”. A previsão foi feita em entrevista recente ao Business Insider.
A tese de Spitznagel, que tem Nassim Taleb (autor de “A Lógica do Cisne Negro”) como conselheiro científico, é que a bolha em torno da inteligência artificial ainda tem fôlego. Contudo, os excessos de alavancagem e as “apostas arrogantes e gigantescas” no setor preparam o terreno para uma correção monumental. “Serei o maior pessimista que você ouvirá nos próximos meses”, afirmou. “Só não sou agora.”
A estratégia do pior cenário
O método da Universa, conhecido como tail-hedging (proteção de cauda), é estruturado para perder dinheiro na maior parte do tempo. O fundo compra opções muito “fora do dinheiro” (out-of-the-money) que só geram retorno em eventos extremos e improváveis. A lógica é que os ganhos massivos durante uma crise compensam as pequenas perdas diárias. O exemplo mais notório foi o retorno de 4.144% no primeiro trimestre de 2020, no auge da crise da covid-19. Spitznagel concorda com as preocupações de Michael Burry (“A Grande Aposta”) sobre o superinvestimento em IA, mas acredita que Burry “vai errar o tempo”.
O paradoxo otimista
Curiosamente, essa estratégia pessimista permite que Spitznagel se mantenha “extremamente otimista” há quatro anos. A lógica é que, com uma pequena alocação no fundo (ele sugere 3,3% do portfólio), o investidor pode se expor mais ao risco no restante da carteira, sabendo que está protegido contra uma catástrofe. Ele traça um paralelo com Warren Buffett, que usa o float de suas seguradoras para comprar ativos a preços de barganha durante crises. Da mesma forma, os ganhos da Universa em um crash podem ser reinvestidos para capturar a recuperação subsequente.
A visão de Spitznagel não é sobre prever o dia exato do colapso, mas sobre se posicionar para a sua eventualidade. A questão que fica no ar não é se a correção virá, mas qual será o gatilho que encerrará o que ele descreve como um último e “insano” rali de euforia. O mercado, por enquanto, parece disposto a dançar mais uma música.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





