O coletivo de arte, arquitetura e design Assemble, baseado em Londres, anunciou seu mais novo e ambicioso projeto: a transformação do Bromley Hall, uma das mais antigas casas da capital inglesa, em um polo de trabalho criativo e industrial leve. O grupo assegurou um contrato de arrendamento de 25 anos, com opção de compra, para o imóvel do século XV, tombado como patrimônio histórico de alta importância (Grade II*-listed).

A iniciativa visa converter não apenas a mansão de circa 1485, mas também a antiga biblioteca de Poplar (de 1904) e uma estrutura de contêineres no local. Juntos, os edifícios formarão o maior espaço de trabalho já gerenciado pelo coletivo, adicionando 14.000 pés quadrados (cerca de 1.300 m²) à sua oferta de ateliês e oficinas, com um plano de longo prazo para dobrar essa área. A leitura aqui é que o projeto ataca duas frentes: a urgente necessidade de preservação histórica e a criação de infraestrutura resiliente para a economia criativa.

Um modelo contra a especulação

Desde sua fundação em 2010, o Assemble construiu uma reputação por desenvolver projetos que fortalecem comunidades por meio do design e do artesanato. A filosofia do coletivo é criar espaços que resistam às forças do mercado imobiliário, que frequentemente expulsam artistas e pequenos fabricantes dos centros urbanos. A iniciativa em Bromley Hall é a materialização dessa tese em larga escala.

Ao garantir um contrato de longo prazo, o Assemble oferece à comunidade criativa de Londres uma estabilidade rara na cidade. O objetivo é criar uma plataforma para trabalhos com engajamento social e ecológico, onde o aluguel previsível e a colaboração entre os inquilinos fomentem um ecossistema sustentável, em vez de um ciclo de gentrificação que acaba por canibalizar a própria cultura que o iniciou.

Reabilitar o passado, construir o futuro

O projeto não é apenas uma intervenção imobiliária, mas um complexo exercício de reabilitação urbana. A restauração de um edifício da era Tudor, considerado um dos mais antigos de Londres, representa um desafio técnico e um compromisso cultural significativo. A combinação da mansão histórica com a arquitetura eduardiana da biblioteca e a utilidade moderna dos contêineres sugere uma abordagem que respeita as camadas do tempo enquanto projeta um novo uso.

O movimento do Assemble pode ser visto como um contraponto ao desenvolvimento predatório. Em vez de demolir ou converter o patrimônio em residências de luxo, o coletivo propõe um modelo onde a herança cultural se torna a base para a produção econômica e criativa do futuro. O projeto serve como um estudo de caso sobre como cidades globais podem conciliar preservação, cultura e desenvolvimento de forma produtiva.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ArchDaily