O Itaú BBA traçou seu mapa para a bolsa brasileira no segundo semestre, atualizando sua carteira de recomendações, a Brazil Buy List, com uma visão que classifica como “moderadamente construtiva”. O movimento reflete um ambiente que exige seletividade, com o banco de investimento reforçando a preferência por grandes companhias, notórias pela qualidade e geração de caixa.

A tese central da nova carteira é dupla: ancorar o portfólio em ativos de alta previsibilidade, quase análogos à renda fixa, e, ao mesmo tempo, aumentar a exposição a empresas que se beneficiam de um dólar mais forte. É uma estratégia que busca navegar as incertezas do ciclo doméstico ao mesmo tempo em que captura oportunidades no cenário global, com uma projeção de retorno total de 22% para a carteira.

Qualidade como porto seguro

A espinha dorsal da estratégia do BBA continua sendo a aposta em “bond proxies” e infraestrutura. Nomes como Equatorial, Axia Energia e Multiplan permanecem na lista, representando empresas com taxas internas de retorno reais na casa dos dois dígitos e receitas corrigidas pela inflação. A leitura é que, em um ambiente de juros elevados, a previsibilidade de fluxo de caixa desses ativos oferece um porto seguro.

Segundo a análise do banco, a atratividade desses papéis é amplificada pelo valuation. O múltiplo preço/lucro médio de empresas de qualidade teria caído de 21,1 vezes em 2020 para as atuais 12,3 vezes — uma compressão que reflete o custo de oportunidade da Selic, e não uma deterioração dos fundamentos. No setor financeiro, a preferência recai sobre BTG Pactual e Bradesco, enquanto no setor de construção, Direcional substitui Cyrela.

O hedge do dólar

A principal alteração tática na carteira do BBA é o aumento da exposição a exportadoras e commodities, um movimento que funciona como um hedge cambial. Entram na seleção Petrobras, Gerdau e Embraer, em detrimento de PRIO e Suzano. A troca sinaliza uma aposta em companhias que podem se beneficiar de uma valorização do dólar frente ao real, mitigando riscos associados ao cenário fiscal e político doméstico.

Essa realocação está alinhada à percepção do banco de que os ativos brasileiros estão precificados de forma desigual. Enquanto a renda fixa embute pessimismo e o câmbio, otimismo, a bolsa ocupa um espaço intermediário. Dentro dela, as empresas focadas no mercado doméstico são as que sofrem maior desconfiança dos investidores. A estratégia, portanto, é clara: concentrar capital onde a percepção de risco é menor ou onde há uma proteção natural contra as turbulências locais.

O portfólio montado pelo Itaú BBA para os próximos meses é, em essência, uma composição de defesa e ataque. A aposta não é em uma recuperação ampla e irrestrita da bolsa, mas em uma seleção criteriosa de ativos capazes de gerar valor em um cenário que ainda combina juros altos, incerteza doméstica e oportunidades ligadas ao mercado externo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times