O Citi iniciou sua cobertura para as ações do Banco Mercantil com uma recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 6, o que representa um potencial de valorização de cerca de 25% sobre o valor atual. A análise, reportada pelo Brazil Journal, classifica o banco controlado pela família Andrade de Araújo como uma “combinação rara” no mercado financeiro brasileiro: crescimento acelerado, alta rentabilidade e um valuation considerado modesto.

A tese do banco de investimento é que o Mercantil está em uma posição singular para capitalizar o crescimento da chamada “silver economy”, a economia voltada para o público com mais de 50 anos. A estratégia foge do roteiro tradicional das fintechs, que miram um público mais jovem e digitalizado, e também se distancia dos grandes bancos de varejo, apostando em um nicho específico e de alto valor.

O motor do INSS e o modelo 'phygital'

A principal vantagem competitiva do Mercantil, segundo a análise do Citi, é seu acesso privilegiado aos beneficiários do INSS. Essa base de clientes funciona como uma máquina de aquisição de baixo custo, permitindo ao banco escalar sua operação de crédito consignado. A instituição, no entanto, não se limita a ser um player de crédito, mas se posiciona como um distribuidor de produtos financeiros para a população 50+.

Para isso, adota um modelo “phygital”. As agências físicas são usadas para adquirir e atender um público que ainda valoriza o contato presencial, gerando confiança. Contudo, a operação é otimizada em canais digitais, onde já ocorrem 80% das originações de crédito. Essa combinação permite ao Mercantil ter a capilaridade de um banco tradicional com a eficiência de uma operação digital.

Além do crédito, a aposta em serviços

Outro pilar da tese de investimento é a diversificação de receitas, materializada na plataforma de assinaturas Meu+. Com mensalidades a partir de R$ 49,99, o serviço oferece desde assistência residencial e para pets até consultas com psicólogos. Para o Citi, essa frente de negócio é crucial para reduzir a volatilidade dos resultados, que hoje ainda dependem fortemente das receitas de crédito.

Por ser um negócio de baixa intensidade de capital, a plataforma de serviços aumenta a capacidade do Mercantil de crescer sem pressionar seu Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), projetado em 23,5% de forma sustentável. Ainda assim, os analistas apontam riscos, como a própria dependência do consignado e possíveis mudanças regulatórias no setor.

Com a ação em alta de 35% nos últimos doze meses e um valor de mercado de R$ 6,4 bilhões na B3, o desafio do Mercantil será provar que seu modelo de nicho é capaz de sustentar o crescimento e a rentabilidade que agora atraem os olhos do mercado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech