A Tapestry, uma empresa criada dentro do Google X, o laboratório de inovações de longo prazo da Alphabet, está aplicando inteligência artificial para um dos maiores desafios da transição energética: a modernização das redes elétricas. A iniciativa busca criar um verdadeiro “mapa” digital da infraestrutura, permitindo uma gestão mais inteligente e preditiva.
Em entrevista ao MIT Technology Review Brasil, Page Craham, General Manager da Tapestry, argumenta que a crescente demanda por eletrificação, somada à expansão de data centers e da geração distribuída, torna o modelo atual de planejamento insustentável. A tese é que a complexidade do sistema exige uma abordagem baseada em dados, simulações e aprendizado de máquina para garantir resiliência e eficiência.
Do mapa à gestão preditiva
A proposta da Tapestry vai além de uma simples digitalização de ativos. Utilizando IA e visão computacional, a plataforma é capaz de criar um gêmeo digital da rede, identificando componentes, analisando seu estado e simulando cenários de expansão ou estresse. O objetivo é transformar a operação, que hoje é em grande parte reativa, em um modelo proativo.
Em projetos-piloto nos Estados Unidos e na Nova Zelândia, a tecnologia já demonstrou capacidade de reduzir drasticamente o tempo de inspeção de ativos e acelerar processos regulatórios para a conexão de novos empreendimentos. A leitura é que, ao fornecer uma visão unificada e detalhada da rede, a ferramenta otimiza a alocação de capital e acelera a tomada de decisão, nós críticos para a modernização da infraestrutura.
O laboratório brasileiro
O Brasil não está fora do radar. O projeto “Rio AI City” surge como um laboratório para essas teses, em uma parceria que envolve Google, a concessionária Light, a Elea (empresa de data centers) e a Prefeitura do Rio de Janeiro. A iniciativa visa desenvolver uma infraestrutura digital para a cidade, apoiada em energia limpa e IA.
Para a Tapestry, o projeto no Rio pode se tornar uma referência internacional para o desenvolvimento de cidades inteligentes. O movimento sugere que a aplicação da tecnologia em um ambiente urbano complexo e com desafios de infraestrutura como o da capital fluminense serve como um teste de fogo para a escalabilidade e eficácia do modelo.
A transformação digital do setor elétrico, no entanto, não é apenas uma questão de software. O sucesso de iniciativas como a da Tapestry dependerá fundamentalmente da colaboração entre setor público, concessionárias e empresas de tecnologia, especialmente no que tange ao compartilhamento de dados para construir uma rede mais flexível e inteligente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · MIT Tech Review Brasil





