A Samsung Electronics oficializou sua entrada de corpo e alma na corrida pela chamada “IA física” ao criar uma divisão dedicada exclusivamente à robótica. Batizada de RX (Robotics eXperience), a nova unidade consolida os diversos projetos de automação da companhia e sinaliza uma mudança de marcha: da pesquisa exploratória para a comercialização em larga escala. O movimento foi bem recebido pelo mercado, com as ações da empresa subindo quase 7% após o anúncio, segundo reportagem do Hypebeast.

Mais do que uma reorganização interna, a criação da RX é um pivô estratégico. A unidade centraliza talentos e tecnologias antes dispersos e se reporta diretamente ao CEO da Samsung Electronics, TM Roh. Essa estrutura de comando direto, com um executivo sênior no leme, indica que a robótica humanoide deixou de ser um projeto paralelo para se tornar um pilar central na estratégia de crescimento de longo prazo da gigante sul-coreana.

Do laboratório à linha de montagem

Para materializar a ambição, a Samsung está alocando um capital massivo: cerca de 19 trilhões de wons (aproximadamente US$ 13 bilhões). A maior parte do investimento será destinada à construção de fábricas de robôs humanoides e uma “fábrica de dados” especializada em Gumi, na Coreia do Sul. A liderança da nova divisão foi entregue a Dongkun Lee, um vice-presidente executivo com credenciais na indústria pesada, vindo da Hyundai e com passagens pela estratégia da Boston Dynamics.

A estratégia de entrada no mercado é pragmática e verticalizada. A Samsung planeja usar suas próprias linhas de produção de semicondutores, smartphones e eletrodomésticos como o primeiro campo de testes para seus robôs. A implementação está prevista para o segundo semestre de 2026. Ao automatizar suas próprias operações, a empresa cria um ambiente controlado para validar a eficiência e a rentabilidade do hardware antes de oferecê-lo a clientes externos nos setores de varejo ou mesmo ao consumidor final.

A corrida pelo 'corpo' da IA

Enquanto grande parte do debate sobre inteligência artificial se concentra no software e nos modelos de linguagem, a Samsung aposta na próxima fronteira: dar um corpo a essa inteligência. A criação da RX posiciona a empresa para competir diretamente com uma nova safra de companhias de hardware focadas em IA, como a Figure AI (apoiada por OpenAI e Microsoft) e o projeto Optimus da Tesla. O foco na contratação de especialistas em manipulação robótica evidencia que o grande desafio de engenharia é construir mãos e braços versáteis, capazes de executar tarefas complexas e variadas.

A Samsung não está tratando a empreitada como um esforço local. A empresa já estabeleceu centros de pesquisa nos Estados Unidos, China e Japão, buscando absorver talentos e conhecimento dos principais ecossistemas de inovação do mundo. A mensagem é clara: a corrida pelos robôs humanoides é global, e a Samsung pretende usar sua escala industrial e seu poder de capital para se tornar um dos protagonistas.

O movimento da Samsung não é apenas uma reorganização interna, mas uma declaração de que a era da automação humanoide está se aproximando mais rápido do que se imaginava. A questão deixa de ser se estes robôs chegarão ao mercado, para ser qual gigante da tecnologia irá dominar a plataforma de hardware que definirá a próxima década de interação entre humanos e máquinas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hypebeast