Por 130 anos, a escola de Coomonte de la Vega, um município de 175 habitantes na província espanhola de Zamora, abriu suas portas. Neste ano, pela primeira vez, elas permanecerão fechadas. A razão não foi uma catástrofe ou uma crise, mas uma simples subtração: o número de alunos caiu de três para dois, um a menos que o mínimo exigido pela legislação local para manter a unidade funcionando. Os dois últimos estudantes serão transferidos. O prédio, com suas lousas e carteiras, permanecerá intacto, um memorial silencioso para uma comunidade que encolhe.
A história, reportada pelo site espanhol Xataka, revela a frieza dos critérios que governam serviços essenciais em áreas rurais. Em Castilla y León, a regra é clara: são necessários ao menos três alunos. A ironia é que este número já representa uma flexibilização; até 2018, o piso era de quatro. A mudança ocorreu para salvar outra escola à beira do fechamento, que contava com a chegada de trigêmeos no ano seguinte. O que foi uma exceção virou norma, mas ainda assim insuficiente para Coomonte.
O dilema não é exclusivo. Outras regiões da Espanha aplicam regras similares, oscilando entre três e cinco alunos como o número mágico que decide o destino de uma instituição. O debate invariavelmente passa pelo custo: um aluno em uma escola rural aragonesa pode custar quase o triplo de um em um centro urbano. No entanto, nem políticos nem sindicatos questionam o sobrecusto, enquadrando a questão não como um problema de rentabilidade, mas como a garantia de um serviço público.
O fechamento de uma escola rural raramente é apenas uma decisão administrativa. É um sinalizador do esvaziamento demográfico e, para muitos, o fim de um pilar que ancora a vida social. A questão que fica, para Coomonte e tantos outros vilarejos, não é quanto custa manter uma escola aberta para dois alunos, mas qual o preço, para o tecido social, de deixá-la fechar.
Source · Xataka





