A Base Power, startup cofundada por Zach Dell — filho do bilionário Michael Dell —, acaba de levantar US$ 1 bilhão em uma rodada Série D. O aporte avaliou a companhia em impressionantes US$ 13 bilhões, um salto de mais de três vezes em menos de um ano. A empresa, que atua no mercado de energia residencial, já acumula mais de US$ 2,5 bilhões em capital.
O movimento sinaliza a forte aposta de investidores de peso — como Ribbit Capital, a16z e o braço de investimentos do JPMorgan — em um modelo que combina fornecimento de eletricidade com sistemas de bateria de backup. A leitura aqui é que a Base Power não é apenas uma empresa de energia, mas uma plataforma de tecnologia com potencial para escalar nacional e globalmente, apesar dos desafios de rentabilidade no curto prazo.
O modelo Costco para a tomada
A proposta da Base Power é eliminar a alta barreira de entrada para sistemas de backup de energia. Em vez de um desembolso que pode superar US$ 15 mil por um gerador ou bateria, a empresa cobra uma taxa de instalação de até US$ 695 e uma mensalidade de US$ 19, além do custo da eletricidade consumida. O modelo, que a própria empresa compara ao da Costco, troca o alto custo inicial por uma receita recorrente.
Para o consumidor, o benefício é duplo: uma conta potencialmente mais baixa e a segurança de manter as luzes acesas por até três dias durante um apagão. A empresa argumenta que o custo da energia em si tende a ser menor, pois suas baterias podem devolver eletricidade à rede em momentos de baixa demanda, gerando economia e otimizando o sistema como um todo.
O peso do sobrenome e da ambição
É impossível dissociar o rápido sucesso da Base Power do sobrenome de seu fundador. Ser filho do quinto homem mais rico do mundo certamente facilita o acesso a capital e redes de contato. No entanto, a avaliação de US$ 13 bilhões e a lista de investidores de primeira linha sugerem que há mais do que apenas pedigree em jogo. A tese é de uma disrupção tecnológica em um mercado de US$ 200 bilhões apenas nos EUA.
A ambição é massiva: levar o serviço a "todos os bairros da América", nas palavras de Dell à Fortune, e, eventualmente, a mercados como Reino Unido e Alemanha. Para isso, a empresa já inaugurou uma fábrica de baterias no Texas e constrói uma segunda. O desafio será conciliar a rápida expansão com um modelo de baixa receita por cliente, o que torna o caminho para a lucratividade mais longo e intensivo em capital.
Com mais de US$ 2,5 bilhões em caixa, a Base Power tem fôlego para testar sua hipótese. A grande questão é se o modelo de assinatura para infraestrutura energética pode de fato se provar uma categoria de tecnologia de alto crescimento, ou se a startup acabará sendo vista como uma empresa de "utilities" com uma roupagem de software. O mercado, por enquanto, parece acreditar na primeira opção.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





