A A5X, que se propõe a ser uma nova bolsa de valores no Brasil, anunciou uma rodada de captação Série D de R$ 360 milhões, que avalia a companhia pré-operacional em R$ 2,7 bilhões. A injeção de capital foi liderada por um trio de peso: os bancos de investimento Morgan Stanley e Goldman Sachs, ao lado da gestora de venture capital Kaszek. A XP também se tornou acionista, exercendo uma opção de compra.

O movimento consolida a A5X como a mais séria candidata a desafiar o monopólio da B3 em décadas. O capital, que eleva o total já levantado para mais de R$ 730 milhões, não se destina a escalar um produto existente, mas a construir do zero uma infraestrutura de mercado financeiro, com foco exclusivo na negociação de derivativos e futuros — um dos segmentos mais rentáveis da atual bolsa.

Um Cheque para a Concorrência

A lista de investidores da A5X é mais eloquente que os valores. Ter a bordo gigantes como Morgan Stanley, Goldman Sachs e formadores de mercado como Jump Trading e Optiver é um selo de validação crucial. São essas mesmas instituições os maiores clientes da infraestrutura que a A5X pretende suplantar. O investimento é, portanto, um sinal claro de que os principais players do mercado anseiam por uma alternativa.

O plano da A5X é um ataque cirúrgico, não frontal. Ao focar em derivativos e usar tecnologia de negociação e clearing do London Stock Exchange Group, a empresa busca mitigar riscos técnicos e regulatórios, concentrando-se em um nicho de alto valor. A estratégia não é ser uma nova bolsa para tudo, mas sim quebrar o monopólio em sua área mais complexa e lucrativa.

O Jogo de 2027

O cronograma, no entanto, evidencia a magnitude do desafio: o lançamento da plataforma está previsto apenas para o segundo trimestre de 2027. Este não é um sprint de startup, mas uma maratona regulatória e de capital intensivo. Segundo a empresa, o capital da Série D foi desenhado para financiar a operação até o ponto de equilíbrio, cobrindo custos regulatórios e o desenvolvimento da plataforma.

Até lá, a mera existência de um concorrente capitalizado e com respaldo de peso já serve como um contrapeso à B3. A avaliação de R$ 2,7 bilhões não precifica receita ou Ebitda, mas sim a probabilidade de se estabelecer uma nova estrutura de mercado no Brasil. O valor está na quebra de uma barreira que parecia intransponível.

O verdadeiro teste da A5X não será levantar capital, mas sim executar a complexa tarefa de construir e operar uma bolsa. O capital compra tempo e talento, mas a confiança do mercado, que ela precisará para operar de fato, ainda terá de ser conquistada trade a trade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados