Um grupo de investidores liderado por Caio Peres, ex-sócio da XP, adquiriu a rede de academias SkyFit em uma transação avaliada em cerca de R$ 400 milhões, o equivalente a 5,5 vezes o EBITDA projetado para este ano. O movimento sinaliza a importação de um modelo de negócios consagrado no mercado financeiro para o pulverizado setor de fitness.

A tese é clara: replicar a estratégia de crescimento capilar da XP, que se apoiou em uma vasta rede de agentes autônomos para ganhar escala nacional. Na SkyFit, os assessores de investimentos dão lugar a franqueados locais, com a promessa de um modelo de expansão mais leve e rápido que o da concorrência. Segundo reportagem do Brazil Journal, a transação foi financiada em parte pelo Itaú BBA e contou com investidores como a NVA Capital e a Bird Capital.

O playbook da Faria Lima

O pilar central da estratégia da SkyFit é a redução drástica do capital necessário para abrir uma unidade. Enquanto uma franquia da Smart Fit exige um investimento de aproximadamente R$ 3,8 milhões, um franqueado da SkyFit desembolsa cerca de R$ 1,5 milhão. A diferença, segundo Peres, está no modelo de aquisição dos equipamentos. Em vez de comprar os aparelhos — o maior custo de uma academia —, o franqueado pode optar por um contrato de leasing, pagando mensalidades que variam de R$ 35 mil a R$ 40 mil.

Este modelo asset-light é a isca para atrair empreendedores locais, especialmente em mercados menos explorados. Assim como a XP oferecia tecnologia, treinamento e poder de marca para seus agentes competirem com os grandes bancos, a SkyFit busca empoderar donos de academias. Para executar o plano, Peres montou uma equipe com ex-colegas da XP em posições-chave de finanças, operações e comercial, além de instituir um modelo de partnership para alinhar os executivos.

O oceano azul das cidades pequenas

A SkyFit não pretende entrar em uma guerra de preços nos bairros nobres das capitais, território dominado pela Smart Fit. O foco está em cidades menores, com 20 a 30 mil habitantes, e em regiões periféricas, onde a competição é majoritariamente com as cerca de 70 mil academias independentes espalhadas pelo Brasil. A leitura da nova gestão é que este é um “oceano azul”, um mercado vasto e com baixa consolidação.

Com 370 unidades e 1 milhão de alunos, a rede já demonstra tração, operando um modelo 100% franqueado. A meta é agressiva: abrir dez academias por mês e atingir 1.000 unidades em cinco anos. A ambição de longo prazo é ultrapassar a Smart Fit em número de academias no Brasil. O desafio será conciliar a velocidade da expansão com a promessa de um serviço de maior valor agregado, evitando a armadilha do “low value, low cost” que, na visão de Peres, domina o segmento.

O movimento da SkyFit é uma aposta na arbitragem de modelos de negócio: a aplicação de uma tese de escala e capilaridade, provada em um setor sofisticado como o financeiro, a um mercado tradicional e fragmentado. Resta saber se a cultura operacional do fitness se adaptará à velocidade e à lógica do playbook da Faria Lima.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech