Diante de um incêndio florestal ou de um tornado, a reação é evacuar. Uma startup americana, no entanto, propõe que sua casa também possa se proteger. A HiberTec Homes desenvolveu um modelo de residência que, em 15 minutos, se retrai para uma câmara subterrânea, desaparecendo da superfície. O acionamento é feito por um aplicativo de celular.
A proposta, reportada pelo site espanhol El Confidencial, representa um passo além dos materiais à prova de fogo ou reforços estruturais. É uma mudança de paradigma na arquitetura resiliente: em vez de resistir ao desastre, a estrutura o evita, submergindo em um bunker. A leitura, contudo, é que essa engenhosidade atende a um nicho específico, onde a prioridade é a preservação do patrimônio em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Arquitetura de fuga
O sistema da HiberTec é baseado em uma plataforma hidráulica que faz a casa descer para uma cavidade de concreto. O processo é automatizado: antes da descida, as conexões de água, gás e eletricidade são desengatadas para evitar acidentes. Um retardante de chamas é borrifado ao redor do perímetro e, uma vez subterrânea, uma pesada tampa sela a estrutura, que segundo a empresa pode suportar temperaturas de quase 1.100 °C por dias.
O mecanismo foi projetado com redundâncias, funcionando com a gravidade, energia da rede, uma bateria de lítio de reserva e até um sistema manual de roldanas. É crucial notar, porém, que a câmara não foi projetada para abrigar pessoas. A ordem de evacuação das autoridades permanece como prioridade. O objetivo da tecnologia é proteger o imóvel e os bens em seu interior, não servir como abrigo humano.
Resiliência como luxo
Disponível em três tamanhos, de 149 m² a 372 m², o projeto leva cerca de 18 meses para ser construído, em grande parte devido à complexidade da escavação e instalação do sistema. O principal obstáculo, no entanto, é o custo. Com um preço inicial de aproximadamente 10.900 euros por metro quadrado, a solução é, por ora, um produto de luxo. A empresa afirma que pretende reduzir o valor para cerca de 4.500 euros por metro quadrado, mas ainda assim o posiciona em um patamar elevado do mercado imobiliário.
Além do preço, há limitações geológicas. Solos instáveis, lençóis freáticos altos ou terrenos muito inclinados inviabilizam a construção. O conceito da HiberTec Homes, embora fascinante do ponto de vista da engenharia, materializa uma tendência de "climatização de ativos" para os mais ricos. É uma amostra de um futuro onde a capacidade de se adaptar às mudanças climáticas pode se tornar mais um marcador de desigualdade, transformando a segurança em um bem de consumo exclusivo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · El Confidencial — Tech




