Os preços do minério de ferro iniciaram a semana em queda, refletindo o nervosismo do mercado com a saúde da economia chinesa. Segundo reportagem da Reuters, o contrato mais negociado na bolsa de Dalian recuou 0,35%, para 713,5 iuanes (cerca de US$ 105) por tonelada. Na bolsa de Singapura, a referência para o mercado global segue abaixo do nível psicológico de US$ 100, patamar que não consegue romper há mais de duas semanas.

O movimento expõe o cabo de guerra que define o preço da principal matéria-prima do aço. De um lado, a desaceleração do motor industrial chinês, principal consumidor global, pressiona os preços para baixo. Do outro, uma greve em um porto estratégico na Austrália restringe a oferta e amortece o impacto negativo, criando um equilíbrio precário para players como a Vale.

A demanda chinesa como termômetro

A principal força por trás da queda é a demanda por aço na China, que dá sinais de fraqueza. Dados de inflação ao produtor vieram abaixo do esperado em julho, indicando menor atividade industrial. Analistas da Galaxy Futures, citados na reportagem, apontam que "o consumo doméstico de aço no setor manufatureiro pode encolher mais do que o esperado".

Para agravar o cenário de curto prazo, chuvas torrenciais no leste da China, trazidas pelo tufão Dolphin, paralisaram atividades de construção civil e outras operações ao ar livre, reduzindo ainda mais o consumo imediato de aço. O mercado, portanto, reage não apenas a indicadores macro, mas a eventos climáticos que impactam diretamente a ponta consumidora.

O contrapeso da oferta

O que impede uma queda mais acentuada nos preços é um evento do outro lado do mundo: a Austrália. Trabalhadores da BHP em Port Hedland, um dos maiores terminais de exportação de minério de ferro do planeta, iniciaram uma greve — a primeira ação industrial de grande porte no local em 25 anos.

A relevância do porto é inquestionável. Ele foi responsável por 75% das exportações de minério de ferro da região de Pilbara no último ano. Qualquer disrupção na sua operação tem o poder de remover um volume significativo da commodity do mercado global, criando um piso para os preços, ao menos temporariamente.

O cenário atual é de um impasse. A questão que paira sobre o setor é qual dessas duas forças prevalecerá nos próximos meses. A greve australiana é um fator conjuntural, com prazo para acabar. A desaceleração da China, por outro lado, pode ser um sinal estrutural mais profundo. Para o Brasil e suas gigantes de mineração, decifrar esse enigma é fundamental para navegar as incertezas do mercado de commodities.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney