O UBS BB colocou o varejo farmacêutico brasileiro de volta em sua prateleira de recomendações, iniciando a cobertura das ações da Pague Menos (PGMN3) e da Panvel (PNVL3), ambas com indicação de compra. Os preços-alvo foram fixados em R$ 5 e R$ 17, respectivamente.

O movimento sinaliza a confiança do banco na tese de crescimento estrutural do setor, que vinha de um período de desempenho mais fraco na bolsa. A leitura é que, com valuations atrativos, as grandes redes estão bem posicionadas para acelerar a consolidação de um mercado ainda pulverizado, especialmente em um cenário de juros mais altos que pressiona os concorrentes independentes.

A tese da consolidação

A análise do UBS parte de uma premissa macro: o mercado farmacêutico brasileiro, avaliado em R$ 236 bilhões, deve crescer a um ritmo médio de 11% ao ano até 2030. Os vetores são conhecidos: envelhecimento da população, aumento dos gastos com saúde e a popularização dos genéricos. Nesse contexto, a escala se torna a principal vantagem competitiva, e o custo de capital elevado tende a favorecer as grandes redes em detrimento das farmácias de bairro.

A aposta em Pague Menos é vista como uma jogada de valor, focada na liderança da companhia nas regiões Norte e Nordeste — mercados menos penetrados — e na digestão da aquisição da Extrafarma. Já Panvel é uma aposta em execução e qualidade, com forte presença no Sul, região de maior poder de consumo, e um histórico consistente de rentabilidade.

Riscos no radar e a favorita do setor

O banco não ignora os riscos. A preocupação do mercado com a queda de preços dos medicamentos GLP-1 (usados para diabetes e obesidade) após a expiração de patentes é real. Contudo, o UBS acredita que o aumento do volume de vendas compensará a margem menor. Outro risco, mais distante, seria uma mudança regulatória que permitisse a venda de medicamentos em marketplaces, mas a capilaridade e a logística das grandes redes funcionam como uma barreira de entrada relevante.

Apesar das novas recomendações, a RD Saúde (RADL3) segue como a principal escolha do UBS no setor. A justificativa está no prêmio que a liderança de mercado confere à companhia. Com quase 20% de market share nacional e uma operação logística e omnicanal mais madura, a RD continua sendo, na visão do banco, a empresa mais bem posicionada para capturar os ganhos da consolidação, mesmo que seu valuation seja mais elevado que o dos pares.

O relatório do UBS desenha um cenário onde escala e eficiência são os ativos mais valiosos. A questão para o investidor é se os valuations mais baixos de Pague Menos e Panvel oferecem um ponto de entrada mais atrativo do que a liderança já precificada da RD. O mercado parece ter três cavalos distintos para uma mesma corrida.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times