A fatura pelo uso corporativo de inteligência artificial pode chegar antes do esperado — e mais alta do que o previsto. Esse é o alerta do investidor de risco Chamath Palihapitiya, que, em uma entrevista à CNBC, previu que muitas empresas podem ver seus resultados financeiros pressionados por gastos não controlados com a tecnologia.

Segundo Palihapitiya, o incentivo para que funcionários usem ao máximo as ferramentas de IA, um fenômeno apelidado no Vale do Silício de "tokenmaxxing", está criando uma despesa operacional oculta. A tese é que, na corrida pela adoção, os diretores financeiros perderam de vista o medidor de consumo, criando um ponto cego que pode levar a surpresas negativas na divulgação de balanços.

A ressaca do 'tokenmaxxing'

O termo "tokenmaxxing" descreve a prática de maximizar o uso de tokens — as unidades de dados que os modelos de IA processam e que servem de base para a cobrança. Na fase inicial de euforia, companhias chegaram a criar rankings e incentivos para estimular o uso, partindo do princípio de que mais IA equivaleria a mais produtividade. Agora, a conta começa a ser sentida.

Reportagem do Business Insider cita exemplos como o Uber, que teria esgotado seu orçamento anual para o modelo Claude Code em poucos meses, e o Instagram, que admitiu ter cortado projetos que "queimavam tokens" sem necessidade. O diagnóstico é que a ordem para adotar a tecnologia veio sem os devidos controles de custos, e os CFOs agora podem estar descobrindo a escala real do consumo.

Convergência e comoditização

O alerta de Palihapitiya ocorre em um momento de inflexão no mercado de IA. Ele argumenta que a pressão de custos aumenta justamente quando a vantagem dos modelos mais caros, como os da OpenAI e Anthropic, está diminuindo. Alternativas mais baratas de gigantes como Meta, Google e SpaceX já seriam "80% a 95% tão boas" para a maioria dos casos de uso.

O investidor compara a evolução recente dos modelos de IA com as novas gerações do iPhone: as melhorias são incrementais, não mais saltos tecnológicos disruptivos. Isso sugere uma comoditização da tecnologia de base. A leitura é que muitas empresas podem estar pagando por "combustível de foguete" quando uma solução mais simples seria suficiente, inflando os custos sem um retorno proporcional na performance.

O aviso de Palihapitiya funciona como um chamado à realidade para o mercado. A era da experimentação com IA a qualquer custo parece estar dando lugar a uma fase de otimização e escrutínio sobre o retorno do investimento. A questão para os executivos não é mais se devem usar IA, mas como e, principalmente, a que custo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider