A Intel anunciou que irá ao mercado para uma captação de US$ 15 bilhões por meio de uma oferta pública de ações. A operação, coordenada por um sindicato de bancos que inclui J.P. Morgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup, visa levantar capital para "fins corporativos gerais", com foco em despesas de capital e capital de giro, segundo reportagem da Forbes España.
A movimentação ocorre em um momento crucial para a gigante de Santa Clara. Após ver suas ações valorizarem mais de 150% no acumulado do ano, a empresa busca converter essa confiança do mercado em caixa para financiar sua ambiciosa e custosa estratégia de recuperação. A tese é clara: para competir na era da inteligência artificial, é preciso investir pesado, e a Intel está passando o chapéu.
A aposta na manufatura e IA
A captação está diretamente ligada à estratégia IDM 2.0, liderada pelo CEO Pat Gelsinger, que busca restaurar a liderança da Intel em manufatura de semicondutores e se posicionar como um player central no ecossistema de IA. Segundo a empresa, a demanda por computação de IA é "sólida e sustentável", e o capital será usado para explorar oportunidades em áreas como "IA física, chips desenhados à medida, empacotamento avançado e obleas externas" — um jargão para fabricação de chips para terceiros.
Essencialmente, a Intel quer se tornar uma 'foundry' (fabricante por contrato) de ponta, competindo diretamente com a TSMC, ao mesmo tempo que desenvolve seus próprios chips para rivalizar com a Nvidia. A oferta de ações é uma forma de financiar as novas e caríssimas fábricas (fabs) necessárias para essa empreitada, aproveitando o bom momento da ação para evitar um endividamento excessivo e manter seu grau de investimento. A queda de mais de 3% no pré-mercado reflete a diluição para os acionistas atuais, o preço a pagar pela aposta de longo prazo.
A mensagem da Intel ao mercado é direta: a virada tecnológica tem um custo multibilionário. A empresa está usando a euforia em torno da IA para financiar a infraestrutura que, espera ela, a tornará relevante novamente. Resta saber se o capital será suficiente para fechar a distância para os líderes de um setor que não para de acelerar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





