A corrida para alimentar a crescente demanda de energia da inteligência artificial pode trazer riscos financeiros para os consumidores de eletricidade nos Estados Unidos. Um novo relatório, destacado pelo Financial Times, aponta que os planos de concessionárias de energia para construir novas usinas a gás natural para atender exclusivamente aos data centers podem resultar em bilhões de dólares em "ativos encalhados" — infraestrutura que se torna obsoleta antes do fim de sua vida útil.
O estudo argumenta que, se a demanda projetada por esses data centers não se materializar, ou se eles se tornarem mais eficientes ou se mudarem, os custos desses investimentos em novas usinas a gás seriam repassados aos demais clientes nas contas de luz. A análise levanta um questionamento central sobre a sustentabilidade da atual estratégia energética para viabilizar a expansão da IA.
O risco dos ativos encalhados
A lógica por trás da preocupação do relatório está na natureza volátil da demanda tecnológica. As concessionárias estão sob pressão para garantir capacidade energética para um setor em hipercrescimento, e o gás natural surge como uma solução de rápida implementação para gerar energia de base. No entanto, essa aposta carrega uma incerteza fundamental: a trajetória de longo prazo do consumo de energia pela indústria de IA.
O relatório sugere um cenário em que a tecnologia de IA evolui para modelos mais eficientes, ou em que a consolidação do mercado leve ao fechamento de alguns data centers. Nesses casos, as usinas a gás construídas especificamente para atendê-los poderiam se tornar subutilizadas. A recuperação desses custos de capital recairia sobre a base geral de consumidores, socializando o risco de um investimento feito para beneficiar um setor específico e criando um passivo de longo prazo em um momento de transição para energias mais limpas.
O documento ressalta a tensão entre apoiar a inovação tecnológica e proteger os consumidores de apostas de infraestrutura de alto custo. A questão para reguladores e empresas de energia é como equilibrar a necessidade imediata de energia para a economia digital com a prudência financeira e os compromissos de descarbonização, evitando que a conta da revolução da IA seja paga por todos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Financial Times Technology





