Na costa de Alicante, na Espanha, a pesca artesanal enfrenta um inimigo que não vem do mar: o preço do diesel. A Confraria de Pescadores de La Vila Joiosa soou o alarme de que a escalada no custo do combustível está tornando a atividade economicamente inviável, levando barcos a operarem no vermelho.

Segundo reportagem da Forbes España, a matemática é simples e brutal. Um barco de arrasto pode gastar até € 1.200 em combustível numa única jornada, enquanto a venda média do pescado gira em torno de € 1.500. A margem, já apertada, desaparece quando se somam outros custos fixos, como Seguridade Social, manutenção e suprimentos, empurrando o resultado para o prejuízo.

A matemática da inviabilidade

A crise não se limita ao balanço do armador. O modelo de remuneração da tripulação, conhecido como "a parte", é baseado na divisão do resultado líquido da pescaria. Com os custos operacionais em alta, o valor a ser repartido diminui drasticamente, afetando diretamente a renda dos pescadores e suas famílias. O que está em jogo, portanto, não é apenas a rentabilidade de um negócio, mas a subsistência de uma comunidade.

O comunicado da Confraria detalha que o setor vinha absorvendo os aumentos como podia, mas o preço atual, em € 1,20 por litro, atingiu um ponto de ruptura. A situação é especialmente crítica para a pesca de arrasto, modalidade de alto consumo energético. O alerta é de que a continuidade da atividade está comprometida se nada for feito.

O ultimato ao governo

Diante do cenário, a demanda dos pescadores é por ações governamentais que mitiguem o impacto do custo do combustível. O objetivo, segundo a entidade, não é parar de trabalhar, mas garantir condições para que a pesca continue sendo uma atividade economicamente viável. Trata-se de um apelo por políticas que garantam a previsibilidade e a sustentabilidade do setor.

A Confraria adverte que, sem soluções imediatas, a única alternativa será "amarrar os barcos". Este não é um blefe, mas a consequência lógica de uma operação que gera perdas contínuas. A ameaça de uma paralisação forçada paira sobre o setor, o que comprometeria não apenas os empregos diretos, mas também a oferta de pescado fresco no mercado local.

A situação em Alicante é um microcosmo de como choques nos preços de commodities podem desestabilizar setores tradicionais com margens estreitas. A pressão sobre a pesca espanhola ecoa desafios enfrentados por outras indústrias primárias globalmente, levantando questões sobre a resiliência das cadeias de suprimentos e o papel do Estado como um estabilizador econômico.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España