Atrasos na entrega de novas aeronaves estão impondo um custo extra de US$ 3 bilhões anuais em combustível para as companhias aéreas globais. O valor, que equivale a quase R$ 16 bilhões, é o resultado direto da necessidade de manter em operação aviões mais antigos e menos eficientes, segundo um novo estudo da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
O gargalo, provocado por problemas na cadeia de suprimentos e na produção de fabricantes como Boeing e Airbus, não afeta apenas o balanço financeiro das empresas. Ele representa um freio significativo nos esforços de descarbonização do setor, uma das principais bandeiras da indústria para os próximos anos. A renovação da frota é a ferramenta mais concreta para a redução de emissões, e sua lentidão expõe uma vulnerabilidade estrutural da aviação.
O Custo da Ineficiência
Os números da IATA detalham o tamanho do revés ambiental. A operação com aeronaves de gerações passadas gera cerca de 12 milhões de toneladas de emissões adicionais de CO2 por ano. Esse volume corresponde a 1,2% do total emitido pela indústria e equivale à poluição de 2,6 milhões de carros.
Para colocar em perspectiva, o impacto negativo é o dobro da economia de carbono que seria obtida com todo o Combustível de Aviação Sustentável (SAF) previsto para ser produzido em 2026. Enquanto o SAF evitaria cerca de seis milhões de toneladas de CO2, a ineficiência da frota atual adiciona o dobro. A modernização não é trivial: aviões de fuselagem estreita de última geração, por exemplo, reduzem as emissões por assento em 24%, enquanto os regionais chegam a 40%.
O problema, no entanto, vai além do querosene e do CO2. As tecnologias de motores mais recentes também emitem menos óxidos de nitrogênio e outras partículas poluentes. Cada dia de atraso na linha de montagem da Boeing ou da Airbus, portanto, não é apenas um problema comercial para uma companhia aérea ansiosa por um avião novo. É um obstáculo que retarda a transição tecnológica de todo um ecossistema, com implicações financeiras e ambientais que se acumulam na mesma proporção.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





