O mercado global de pagamentos omnicanal deve crescer 57% nos próximos cinco anos, saltando de uma receita de US$ 56 bilhões em 2026 para US$ 108 bilhões em 2031. A projeção, parte de um novo estudo da consultoria Juniper Research, sinaliza uma mudança fundamental na forma como os varejistas enxergam a infraestrutura de pagamentos.
A expansão não se deve apenas ao volume transacional, mas a uma demanda estratégica por maior eficiência. A tese é que os comerciantes não buscam mais apenas um processador de pagamentos, mas uma plataforma centralizada que unifique seus diversos canais de venda — físico, online, móvel — e simplifique a gestão operacional.
Além da transação
O conceito de "omnicanal" em pagamentos refere-se exatamente a essa consolidação. Em vez de gerenciar múltiplos sistemas — um para a loja física, outro para o e-commerce — e arcar com a complexidade de reconciliar dados, os varejistas buscam uma solução única. Essa abordagem reduz a carga operacional e mitiga erros.
O valor, segundo o relatório, é ampliado pela capacidade dessas plataformas de se integrarem a sistemas de terceiros, como softwares de gestão empresarial (ERP). A plataforma de pagamento deixa de ser um serviço periférico para se tornar o núcleo do stack tecnológico do negócio, aumentando a barreira de saída e o valor percebido pelo cliente.
O novo petróleo são os dados (de pagamento)
A verdadeira fronteira competitiva, no entanto, está nos dados. O relatório da Juniper Research destaca que os dados de pagamento estão evoluindo de "um subproduto operacional para uma fonte de valor". Players que lideram essa corrida, como Stripe, Worldpay, PayPal, Square e Adyen, já entenderam essa dinâmica.
Essas empresas utilizam o vasto volume de informações transacionais para oferecer serviços de maior valor agregado. Isso inclui análises de comportamento do consumidor baseadas em IA, programas de fidelidade personalizados e sistemas de prevenção a fraudes mais sofisticados. A competição se desloca da taxa por transação para a inteligência gerada pela plataforma.
Para o ecossistema de tecnologia e varejo, no Brasil e no mundo, o recado é claro. A infraestrutura de pagamentos não é mais um commodity. A capacidade de integrar canais e, principalmente, de transformar dados brutos em inteligência de negócio, tornou-se um fator decisivo de competitividade. A disputa não é mais sobre quem processa mais barato, mas sobre quem gera mais valor a partir da transação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





