A próxima grande onda de liquidez do setor de tecnologia pode ainda não ter data marcada, mas a indústria financeira já está se posicionando. Gestores de fortunas e private banks estão cortejando agressivamente funcionários da OpenAI e da Anthropic, as duas startups na vanguarda da inteligência artificial generativa, em antecipação a potenciais ofertas públicas iniciais (IPOs) que prometem ser transformadoras. A movimentação, reportada pelo Financial Times, é um sinal tangível de que, para Wall Street, a abertura de capital dessas empresas é uma questão de “quando”, não de “se”.
Essa corrida antecipada para capturar os futuros milionários da IA revela uma dinâmica de mercado onde a riqueza, ainda que ilíquida e presa em ações de companhias privadas, já exerce força gravitacional. Os funcionários dessas empresas, ricos em equity, estariam ganhando poder de barganha, negociando termos mais favoráveis com os bancos que competem por suas futuras fortunas. O fenômeno ecoa a preparação para IPOs históricos como os do Google e do Facebook, que cunharam uma nova geração de milionários da tecnologia e redefiniram o mapa da riqueza no Vale do Silício. A aposta é que o mesmo acontecerá com a IA.
A Riqueza (Ainda) de Papel que Movimenta Wall Street
No centro dessa atividade está o capital humano e o equity que ele detém. OpenAI, a empresa por trás do ChatGPT, e sua principal rival Anthropic, são hoje duas das companhias de tecnologia privadas mais valiosas do mundo. Seus funcionários, de engenheiros a pesquisadores, possuem pacotes de remuneração que incluem participações acionárias significativas. Um IPO converteria essa riqueza de papel em capital líquido, criando um evento de liquidez de centenas de bilhões de dólares e transformando muitos desses profissionais em clientes de alta renda da noite para o dia.
Segundo a reportagem do Financial Times, a competição entre os gestores de patrimônio para conquistar esses clientes é intensa. A disputa não é apenas para gerenciar os ativos pós-IPO, mas para construir relacionamentos desde já, oferecendo planejamento financeiro, aconselhamento tributário e acesso a outros serviços bancários. Essa proatividade do setor financeiro serve como um barômetro para a magnitude do evento esperado. A mensagem é clara: o mercado financeiro está se preparando para um influxo de capital que pode ser um dos maiores da história recente da tecnologia.
O Mercado de Apostas e a Corrida para a Bolsa
Enquanto os bancos se preparam, a incerteza sobre o cronograma e a ordem dos IPOs alimenta a especulação. Mercados de previsão como o Polymarket, embora não sejam fontes verificadas de informação, oferecem um vislumbre do sentimento do mercado. Em uma das apostas, a probabilidade implícita de que a Anthropic realize seu IPO antes da OpenAI chega a 89%. Esses mercados são um reflexo das narrativas e análises que circulam, indicando que observadores externos veem a Anthropic como potencialmente mais próxima de uma listagem.
Essa percepção é alimentada, em parte, por relatos de turbulência interna na OpenAI. O Financial Times também aponta para saídas de executivos e mudanças na equipe de segurança como fatores de instabilidade, enquanto o CEO Sam Altman estaria preparando a empresa para uma “listagem blockbuster”. A pressão por um IPO, que daria liquidez a investidores e funcionários, parece coexistir com debates internos sobre a estrutura e a missão da organização. A corrida para a bolsa, portanto, não é apenas uma competição entre empresas, mas também um processo complexo de alinhamento interno e timing de mercado.
A movimentação dos gestores de fortunas e a especulação nos mercados de previsão pintam um quadro claro: o ecossistema financeiro já opera sob a premissa de que os IPOs da OpenAI e da Anthropic estão no horizonte. Embora as datas e os valuations permaneçam no campo da especulação, a preparação para o que pode ser um dos maiores eventos de criação de riqueza da década já começou, e seus efeitos já são sentidos muito antes de qualquer sino tocar na bolsa de valores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Financial Times Technology





