Uma nova pesquisa da Workday, com mais de 6.100 profissionais, aponta um culpado inesperado para a lenta adoção transformadora da inteligência artificial nas empresas: a fragmentação de processos. Segundo o relatório, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é implementada.

A tese é que as companhias adotaram ferramentas de IA para ganhos de produtividade individual, mas falharam em redesenhar os fluxos de trabalho. O resultado é o que o estudo chama de “economia do copia e cola”, onde profissionais gastam tempo significativo atuando como “integradores manuais entre sistemas, informação e departamentos”, nas palavras de Albert Pijuan, CEO da consultoria Nodus, que analisou os dados para a Forbes Espanha.

O gargalo não é tecnológico, é operacional

Os números do relatório ‘The Copy/Paste Economy’ são eloquentes. Apenas 27% das empresas conseguiram integrar a IA diretamente em seus fluxos de trabalho centrais. A grande maioria, portanto, a utiliza como uma camada superficial sobre sistemas legados e desconectados. Isso explica por que 81% dos entrevistados afirmam continuar movendo dados manualmente entre diferentes ferramentas, e 77% precisam reconciliar informações conflitantes de fontes distintas sobre a mesma realidade do negócio.

A leitura é que a IA está sendo tratada como um aplicativo de produtividade, e não como uma peça fundamental da infraestrutura operacional. O ganho de eficiência de um funcionário que usa um assistente de IA para escrever um e-mail é anulado se ele precisa, em seguida, copiar manualmente os dados para três sistemas diferentes.

Da automação de tarefas à automação de responsabilidades

Com base nos achados, a Nodus defende que a próxima fronteira da IA corporativa não é sobre criar agentes mais inteligentes, mas sim redesenhar a operação. A proposta é evoluir de uma automação de tarefas pontuais para uma automação de responsabilidades operacionais. Em vez de a IA apenas ajudar um humano, ela assumiria a responsabilidade por um processo, com humanos atuando como supervisores ou em pontos de exceção.

O estudo da Workday corrobora essa visão. Nas organizações que já integraram a IA em seus sistemas, 60% dos profissionais reportam reduções de tempo superiores a 25%. Nas empresas onde a IA opera de forma isolada, esse índice cai para 36%. A diferença não é marginal e aponta para o verdadeiro retorno sobre o investimento em inteligência artificial.

O debate sobre IA frequentemente se concentra no poder dos modelos ou na ameaça aos empregos. Contudo, para as empresas que buscam ganhos reais de competitividade, o desafio parece ser mais prosaico e fundamental: redesenhar seus processos. Sem isso, a IA corre o risco de se tornar a mais cara e sofisticada ferramenta de "copia e cola" já inventada.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España