A indústria espanhola de tecnologia e manufatura está se organizando para a próxima onda da automação. Dois dos principais clusters do país, AFM Cluster e AER Automation, que juntos representam mais de mil empresas, anunciaram a criação da Ánima, a Associação Espanhola de Robótica Humanoide e Inteligência Artificial Física. O objetivo, segundo reportagem da Forbes España, é claro: agrupar, representar e impulsionar um ecossistema que Madri acredita ser estratégico para o futuro industrial.

O nome da associação — "alma", em espanhol — é uma pista. A tese central não é apenas construir robôs que se pareçam com humanos, mas sim dar corpo e ação à inteligência artificial. O conceito chave é a "IA Física", definida como a convergência que permite a máquinas perceber, raciocinar e atuar em ambientes projetados para pessoas. "A convergência entre inteligência artificial e robótica está acelerando o desenvolvimento de robôs humanoides cada vez mais autônomos e versáteis", afirmou Carlos Méndez, presidente da nova associação, em comunicado.

A iniciativa é mais uma estratégia industrial do que uma aposta puramente tecnológica. Ao conectar desenvolvedores de ponta, como PAL Robotics e Tecnalia, com um vasto tecido de empresas de automação e máquinas-ferramenta, a Espanha busca garantir que a "IA Física" transforme não apenas robôs, mas todo o parque produtivo. A ambição, segundo os fundadores, é dotar equipamentos de maiores níveis de autonomia e adaptação, ocupando um espaço relevante na nova cadeia de valor global que se desenha.

Num cenário onde a corrida pela IA é muitas vezes dominada por gigantes de software e capital de risco, o movimento espanhol se destaca pela organização e pelo foco industrial. É uma aposta calculada de que o futuro da automação não será apenas escrito em código, mas também forjado em hardware, nas fábricas e nos laboratórios que estão construindo a próxima geração de máquinas inteligentes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España