O Ibovespa emendou sua sétima sessão consecutiva de perdas nesta quarta-feira, fechando em baixa de 0,23% e sinalizando o nervosismo do mercado com o cenário doméstico. Segundo reportagem do Money Times, o principal índice da bolsa brasileira reflete a digestão do chamado "Risco Brasil", com o dólar também em alta.

A queda não é um evento isolado. Ela representa a precificação de uma incerteza que se aprofunda: a ausência de um plano fiscal crível para o próximo ciclo presidencial. A leitura do mercado é que, independentemente do resultado eleitoral, o ajuste será inevitável, e a conta já começou a ser cobrada.

O prêmio pela incerteza

A análise de especialistas citados pela reportagem, como Gustavo Bertotti da Fami Capital, é uníssona: o mercado passou a exigir um prêmio maior para carregar ativos brasileiros. Essa percepção de risco se materializa na pressão sobre a curva de juros futuros. Não se trata de uma aposta em um ou outro candidato, mas de um consenso de que o próximo governo herdará uma equação fiscal complexa que demandará medidas impopulares. A paciência do investidor com a falta de um planejamento fiscal convincente de médio e longo prazo parece ter se esgotado.

O peso dos gigantes

O reflexo dessa desconfiança foi sentido nos pilares do Ibovespa. O setor financeiro, termômetro da economia local, recuou, com o Itaú entre as principais baixas. Nem mesmo a Petrobras, que costuma acompanhar a cotação do petróleo, escapou do mau humor, indicando que o fator doméstico se sobrepôs ao cenário internacional para a commodity. Na contramão, a alta da Embraer, impulsionada por uma reavaliação positiva da XP Investimentos, mostra que teses microeconômicas ainda encontram espaço, mas são insuficientes para reverter a maré macro.

O dado de inflação benigno nos Estados Unidos, que poderia ter aliviado os mercados, passou despercebido, um sinal claro de que as preocupações são internas. O debate deixou de ser sobre se haverá um ajuste fiscal para se concentrar em qual será sua magnitude e quem arcará com os custos. Por enquanto, a bolsa é quem paga a primeira parcela.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times