A Califórnia, estado com uma das mais fortes culturas automobilísticas dos EUA, acaba de sancionar uma nova legislação apelidada de “Lei Leno”, em homenagem ao comediante e notório colecionador de carros Jay Leno. A medida cria uma isenção da rigorosa inspeção de emissões de poluentes para certos veículos clássicos. A notícia, contudo, é uma vitória com muitos asteriscos.

Segundo reportagem do site The Drive, a lei é mais restritiva do que parece e seus efeitos práticos só começarão a ser sentidos em 2028. A leitura aqui é que, embora seja um aceno para a comunidade de colecionadores, a mudança está longe de representar uma liberalização ampla e imediata para donos de carros antigos no estado mais populoso dos EUA.

As letras miúdas da isenção

Para se qualificar, um veículo não precisa apenas ser antigo. A lei define um “carro de coleção” como um modelo com pelo menos 35 anos de idade, usado primariamente em eventos e exibições, e não como meio de transporte principal. Além disso, o proprietário deve cumprir uma de duas condições: ter um seguro específico para veículos de coleção ou comprovar que o carro roda menos de 1.000 milhas (cerca de 1.600 km) por ano.

O ponto mais crítico, no entanto, é o cronograma de implementação. A isenção não se aplica a todos os carros com mais de 35 anos. Ela é limitada por um ano-modelo que avança progressivamente. A partir de 1º de janeiro de 2028, a regra valerá para carros fabricados antes de 1981. Em 2029, para modelos anteriores a 1982, e assim por diante, até parar em 2033, com a isenção para veículos fabricados antes de 1986. Na prática, um carro de 1987 nunca se qualificará sob esta lei, não importa quão velho se torne.

Um passo tímido, não um salto

A aprovação da lei foi o resultado de uma batalha de quase oito anos, segundo ativistas envolvidos. Ainda assim, as restrições impostas limitam severamente seu alcance. O teto de 1.000 milhas anuais inviabiliza o uso dos veículos para viagens mais longas, e a alternativa do seguro de colecionador possui suas próprias exigências, como a necessidade de uma garagem privada, o que exclui muitos proprietários.

O movimento sugere que, apesar da vitória simbólica, o ambiente regulatório da Califórnia continua a ser um desafio para entusiastas. A nova lei é um pequeno ajuste, não uma mudança de paradigma. Para a maioria dos colecionadores no estado, as opções mais seguras continuam as mesmas de antes: adquirir um modelo fabricado em 1975 ou antes — que já possui isenção total — ou arcar com os custos e a complexidade de manter os sistemas de controle de emissões de modelos mais recentes em perfeito funcionamento.

A “Lei Leno” é um sinal positivo, mas a estrada para dirigir um clássico na Califórnia continua sinuosa e cheia de regras. A celebração da comunidade, ao que tudo indica, terá que ser feita em primeira marcha.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Drive