Para Paul Griggs, CEO da PwC nos Estados Unidos, a receita para subir na carreira corporativa resiste ao tempo e às disrupções tecnológicas. Em um setor obcecado pela próxima grande inovação, o executivo, que começou como estagiário na própria firma há 30 anos, defende uma tese contraintuitiva: os princípios mais básicos de dedicação ainda são os mais eficazes.
Segundo reportagem do Business Insider, a filosofia de Griggs se apoia em um ditado que muitos ouvem dos pais: “o que você colhe é o que você planta”. Em um momento em que a IA generativa redefine funções e processos, a aposta do líder de uma das maiores consultorias do mundo é que a curiosidade e o esforço deliberado continuam sendo o principal diferencial competitivo de um profissional.
A energia da curiosidade
Griggs costuma citar Benjamin Franklin: “Energia e persistência conquistam todas as coisas”. Para ele, isso se traduz em uma postura proativa, que envolve dizer “sim” a novas oportunidades e dedicar tempo ao aprendizado mesmo quando ninguém está olhando. Não se trata de uma apologia a trabalhar sem limites, mas de um investimento na própria capacidade movido por interesse genuíno.
Ele ilustra o conceito com o hábito de um antigo sócio, que dividia seu caderno em dois: de um lado, as anotações da reunião; do outro, uma lista de perguntas e tópicos que não entendia e sobre os quais precisava pesquisar. É essa mentalidade que ele busca nos novos talentos. A escolha, segundo ele, é clara: o profissional que usa uma parte do fim de semana para entender melhor um problema, por curiosidade, chega na segunda-feira mais preparado.
O dividendo do esforço extra
A consequência desse preparo extra é um ciclo virtuoso de desenvolvimento. “A pessoa que fez a pesquisa entende as coisas um pouco mais rápido”, afirma Griggs. O resultado? “Essa pessoa recebe mais trabalho”. O aumento gradual de responsabilidades, por sua vez, acelera a curva de aprendizado e, eventualmente, pavimenta o caminho para promoções e novos desafios.
Essa visão não é isolada. Executivos de companhias como Visa e Chipotle já expressaram conselhos similares, valorizando a curiosidade e a disposição para assumir tarefas menos glamourosas no início da carreira. Com a automação remodelando o mercado de trabalho, a capacidade de um funcionário buscar ativamente clareza sobre suas funções e desenvolver novas habilidades por conta própria torna-se um ativo ainda mais valioso para as organizações.
A mensagem de Griggs, embora tradicional, ressoa com uma verdade inconveniente para a narrativa de “trabalhe de forma inteligente, não dura”. A discussão que ele propõe não é sobre a quantidade de horas, mas sobre a qualidade e a intencionalidade da energia investida. Em um mercado que preza a autonomia, a persistência e a curiosidade talvez sejam, no fim, a forma mais fundamental de agência profissional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





