A DHL Global Forwarding, braço de agenciamento de cargas da gigante alemã, vai duplicar sua operação de logística farmacêutica no Brasil até o final de 2026. O movimento, que se materializa em um novo centro de serviços próximo ao aeroporto de Guarulhos, é uma resposta direta à crescente complexidade e valor do setor.
O motor por trás da expansão, segundo reportagem da Bloomberg Línea, é o dinamismo de medicamentos de alto valor agregado e sensíveis à temperatura. O fenômeno é exemplificado pelo boom das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que criaram uma demanda sem precedentes por uma cadeia de frio robusta e à prova de falhas.
A nova fronteira da cadeia de frio
A ambição da DHL é transformar o Brasil em um hub estratégico para a distribuição farmacêutica regional, com uma meta de investimento global de € 2 bilhões no setor de saúde até 2030. A peça central da operação em Guarulhos é a parceria com a suíça SkyCell, que fornece contêineres inteligentes capazes de manter a temperatura entre 2°C e 8°C por até 270 horas.
Essa tecnologia é crucial para o transporte de produtos biológicos, onde um desvio térmico mínimo pode comprometer lotes inteiros de altíssimo valor. A leitura é que a logística deixa de ser um mero transporte para se tornar um serviço de gestão de risco e garantia de integridade, refletindo a sofisticação dos próprios medicamentos que transporta.
O freio regulatório brasileiro
No entanto, a expansão encontra um obstáculo tipicamente brasileiro. Eric Brenner, CEO da DHL Global Forwarding, aponta que o principal gargalo é o regime aduaneiro de admissão temporária. Na prática, a regra impede que os contêineres tecnológicos da SkyCell, por serem importados, sejam utilizados em rotas domésticas após chegarem ao país.
Essa restrição limita drasticamente a eficiência e as economias de escala, confinando a tecnologia de ponta apenas ao trecho internacional. Em um cenário global já pressionado por gargalos em rotas na Europa e Oriente Médio, a burocracia local adiciona uma camada extra de complexidade, freando o potencial competitivo do Brasil.
A meta da DHL de equiparar a operação brasileira à da Bélgica até 2028 é ousada. O sucesso da empreitada dependerá não apenas do capital investido, mas da capacidade de navegar — ou da disposição do governo em modernizar — um ambiente regulatório que ainda não acompanha a velocidade da inovação farmacêutica que pretende servir.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Bloomberg Línea




