Na passagem da noite de 27 para 28 de agosto, observadores do céu em diversos continentes testemunharam um eclipse lunar parcial de rara beleza. O evento ocorreu quando a Terra se posicionou entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural.

O que tornou o fenômeno notável foi a profundidade do eclipse: a sombra mais escura do nosso planeta, a umbra, chegou a cobrir 96% do disco lunar, deixando apenas uma fina crescente iluminada. A cobertura fotográfica do evento, compilada em uma galeria pelo site Space.com, transforma um evento astronômico em uma narrativa visual compartilhada globalmente.

A mecânica celeste e a paleta terrestre

Um eclipse lunar é um exercício de geometria cósmica. No entanto, a sua beleza visual reside em uma peculiaridade da nossa própria atmosfera. A cor avermelhada que tinge a Lua durante um eclipse profundo — apelidada de “lua de sangue” em eclipses totais — não vem do espaço, mas da Terra.

O fenômeno é causado pela dispersão de Rayleigh, o mesmo mecanismo que torna nossos céus azuis e os pores do sol vermelhos. Ao passar pela atmosfera terrestre, a luz solar é filtrada; os tons azuis são dispersos, enquanto os vermelhos e laranjas atravessam e são refratados em direção à Lua. Essencialmente, a cor do eclipse é a luz de todos os amanheceres e entardeceres do planeta projetada na superfície lunar.

Uma narrativa fotográfica global

As imagens do evento mostram mais do que apenas um corpo celeste. Elas contam histórias sobre nosso próprio planeta. Fotógrafos emolduraram a Lua eclipsada com marcos históricos, como o Partenon em Atenas e a mesquita Süleymaniye em Istambul, conectando o presente celeste a um passado terrestre milenar.

A galeria de registros se estende das planícies da Hungria aos arranha-céus de Madri. Para o público brasileiro, a imagem capturada por Mauro Pimentel no Rio de Janeiro, mostrando a Lua avermelhada sobre a cidade, cria uma conexão local com o evento global. Cada foto é um lembrete de que, embora o fenômeno seja o mesmo, a perspectiva é única para cada ponto de observação na Terra.

O espetáculo celeste, contudo, segue seu roteiro. O próximo grande evento lunar será um eclipse total, uma autêntica “lua de sangue”, visível para bilhões de pessoas na virada do ano de 2028. Antes disso, em fevereiro de 2027, um eclipse solar anular criará um “anel de fogo” nos céus de parte da América do Sul.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Space.com