Kevin Weil, que até o início do ano era o diretor de produto da OpenAI, está no mercado buscando uma rodada de captação de US$ 150 milhões para uma nova startup. O detalhe que chama a atenção é o valuation pretendido: pelo menos US$ 750 milhões para uma companhia que ainda nem foi formalmente lançada. A informação é de uma reportagem do Business Insider, baseada em fontes com conhecimento das discussões.

O movimento de Weil é o mais recente sintoma de duas forças que redesenham o ecossistema de inteligência artificial. A primeira é o contínuo êxodo de talentos sêniores da OpenAI. A segunda, e talvez mais estrutural, é a consolidação da “IA para ciência” como a próxima grande fronteira de investimento, atraindo nomes de peso e cheques vultosos que antes eram direcionados a chatbots e modelos de linguagem.

O preço do pedigree

Uma avaliação de US$ 750 milhões para uma empresa em estágio pré-operacional seria impensável em quase qualquer outro setor. No universo da IA generativa, contudo, tornou-se o preço do pedigree. Investidores de venture capital não estão apenas apostando em uma ideia, mas principalmente no fundador. Weil, com passagens pela OpenAI, Meta e Twitter, além de assentos em conselhos como o da Cisco, personifica o tipo de executivo que o mercado acredita ser capaz de construir o próximo unicórnio.

A sua saída se soma a uma lista crescente de executivos que deixaram a OpenAI recentemente, incluindo Brad Lightcap, ex-COO, e Bill Peebles, que liderava o projeto Sora. A leitura é que, para muitos talentos de ponta, o potencial de criação de valor — e de impacto — agora parece maior fora das estruturas dos grandes laboratórios de IA, e os investidores estão dispostos a pagar um prêmio para financiar essa migração.

A corrida pela automação científica

Embora os detalhes da nova empresa de Weil sejam escassos, fontes afirmam que o pitch se concentra em coletar dados científicos para treinar modelos de IA. A tese se encaixa em uma corrida cada vez mais competitiva para automatizar o processo de descoberta científica. Dentro da própria OpenAI, Weil supervisionou o Prism, uma iniciativa para integrar modelos de fronteira ao fluxo de trabalho de cientistas.

Ele não está sozinho. A Periodic Labs, fundada por ex-pesquisadores da OpenAI e do Google DeepMind, está construindo “cientistas de IA” e laboratórios autônomos. Na semana passada, Jeff Dean, o lendário chefe de IA do Google, anunciou sua saída para fundar a Discovery Loop, com foco similar. O campo está se tornando um celeiro de startups fundadas por dissidentes das big techs, todas com a promessa de acelerar desde o desenvolvimento de novos medicamentos até a engenharia de materiais.

A questão que o mercado tentará responder não é se a IA transformará a ciência, mas se essa onda de startups ultra-capitalizadas, nascidas do prestígio de seus fundadores, conseguirá entregar os avanços prometidos ou se apenas inflará uma nova bolha. A pedida de Weil é o primeiro grande teste dessa tese.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider