A marca italiana de mobiliário Lapalma, em colaboração com a arquiteta e designer Raffaella Mangiarotti, lançou uma nova e unificada paleta de cores para seu catálogo. A apresentação, que ocorreu durante o Salone del Mobile em Milão, o principal evento do setor no mundo, introduz o que a empresa descreve como um “alfabeto cromático”.
A iniciativa vai além de uma simples atualização estética. Ao criar um sistema coeso de 16 tonalidades — nove delas inéditas e sete repensadas —, a Lapalma propõe que a cor deixe de ser um mero acabamento para se tornar um elemento estratégico e sistêmico. A leitura é que a cor passa a funcionar como uma linguagem, permitindo que peças de diferentes materiais e funções compartilhem uma identidade visual coerente.
A Cor como Sistema
O núcleo da inovação desenvolvida por Mangiarotti não está apenas na seleção das cores, mas na sua engenharia para aplicação transversal. A paleta foi projetada para manter a harmonia visual independentemente do substrato, seja ele metal, madeira ou plástico. Este é um desafio técnico significativo no design industrial, onde um mesmo pigmento pode apresentar variações de tonalidade e textura conforme o material.
Com isso, a Lapalma transforma seu catálogo de cores em uma ferramenta prática de design. Para arquitetos e designers de interiores, a novidade simplifica o processo de especificação, garantindo que mesas, cadeiras e outros itens do portfólio da marca possam ser combinados sem risco de dissonância cromática. É um movimento que aumenta a versatilidade e o apelo do ecossistema de produtos da empresa.
Linguagem Além da Decoração
A própria marca posiciona a iniciativa como “cor enquanto linguagem, muito além da decoração”. Essa abordagem reflete uma tendência mais ampla no design de ponta, onde empresas buscam construir sistemas integrados, não apenas vender produtos individuais. Ao estabelecer uma gramática visual unificada, a Lapalma fortalece sua identidade e incentiva a especificação de múltiplos itens de seu portfólio para compor um ambiente.
Trata-se de uma sutil mas poderosa estratégia de fidelização, baseada na coerência estética em vez de padrões técnicos proprietários. O sistema convida os profissionais a pensarem em ambientes completos com a assinatura da marca, em vez de escolherem apenas uma peça de destaque isolada. A direção de arte do projeto, assinada por Alberto Mora, reforça essa visão sistêmica.
A eficácia deste “alfabeto cromático” dependerá, naturalmente, de sua adoção pela comunidade de arquitetura e design. O movimento da Lapalma, contudo, sinaliza uma sofisticação na maneira como as marcas de mobiliário pensam seus portfólios: não mais como uma coleção de objetos, mas como um sistema integrado de soluções de design.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





