Uma pesquisa de opinião pública global do Pew Research Center, conduzida na primavera de 2026, aponta para uma inversão histórica na percepção das duas maiores potências mundiais. Pela primeira vez na série do instituto, a China é vista de forma mais favorável que os Estados Unidos na média dos 36 países analisados. O levantamento foi compilado e visualizado pelo site Visual Capitalist.
O dado não é apenas um placar de popularidade, mas um termômetro relevante do chamado soft power. A leitura é que a mudança reflete uma combinação de dois vetores: a crescente influência econômica e diplomática de Pequim, especialmente no mundo em desenvolvimento, e uma percepção de declínio na confiabilidade e atratividade da política externa americana.
O mapa da nova influência
A análise dos dados revela uma clara divisão geopolítica e econômica. Nações em desenvolvimento na África, Sudeste Asiático e partes da América Latina tendem a registrar maior favorabilidade à China. O Paquistão representa o caso mais extremo, com 90% de opiniões favoráveis a Pequim contra apenas 15% para Washington. Malásia (75% vs. 19%) e Indonésia (72% vs. 29%) seguem uma tendência similar, indicando o peso dos laços comerciais na região.
Do outro lado, os Estados Unidos mantêm a liderança em apenas nove países, majoritariamente aliados tradicionais de segurança, como Israel (81% vs. 19%), Japão (50% vs. 11%) e Coreia do Sul (45% vs. 28%). Já as democracias ocidentais mais ricas, como Alemanha, Suécia e Austrália, demonstram ceticismo em relação a ambas as potências, com baixos índices de aprovação para os dois lados.
Pragmatismo acima de alianças
A pesquisa sugere que, para muitos países, a relação com as superpotências não é um jogo de soma zero. Nações africanas como Gana, Quênia e Nigéria, por exemplo, expressam opiniões positivas sobre ambos os países simultaneamente. Isso aponta para uma abordagem pragmática, na qual os governos buscam extrair benefícios econômicos dos laços com a China sem necessariamente abandonar parcerias estratégicas com os EUA.
A melhoria da imagem chinesa não se deve a um único fator, mas a uma estratégia consistente de engajamento via comércio e investimentos. Enquanto Pequim expande sua presença global, a percepção sobre a política externa americana oscila. O resultado não indica um realinhamento geopolítico automático, mas sim a consolidação de um mundo multipolar, onde a competição pela influência é travada tanto no campo econômico e militar quanto na arena da opinião pública global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





