Erin Magee, a Chief Creative Officer (CCO) da Supreme e uma figura central na marca por 22 anos, anunciou sua saída. A comunicação foi feita via Instagram, marcando o fim de uma era para a gigante do streetwear nascida em Nova York.
A saída de Magee não é um evento isolado, mas o mais recente sintoma de uma instabilidade que se aprofunda na companhia. O movimento ocorre após a controversa demissão do diretor criativo Tremaine Emory em 2023 — que alegou discriminação interna e cujo cargo permanece vago — e duas trocas de controle acionário em quatro anos, culminando na venda para a EssilorLuxottica em 2024. A questão que fica é se a alma da Supreme está se esvaindo junto com seus veteranos.
O fim de uma era
Magee, na Supreme desde 2004, era mais do que uma executiva; ela era parte da memória institucional e criativa da marca, tendo participado do desenvolvimento de produtos e colaborações icônicas. Sua partida simboliza o distanciamento da Supreme de suas raízes contraculturais, um processo acelerado pela absorção por grandes conglomerados. Primeiro, foi a VF Corp em 2020; agora, a EssilorLuxottica, um colosso do mercado de luxo.
A leitura é que, para veteranos como Magee, o ambiente corporativo pode ter se tornado restritivo. Não por acaso, ela deve se dedicar à sua própria marca, a Mademe, que fundou em 2007 e que vem ganhando tração com parcerias relevantes. Trata-se de um caminho clássico para criativos que buscam preservar sua autonomia após a venda da empresa que ajudaram a construir.
Vácuo no comando
A principal implicação da saída de Magee é o vácuo de liderança criativa. A Supreme opera hoje sem um diretor criativo e, agora, sem sua CCO de longa data. Para uma marca cujo valor reside inteiramente em sua relevância cultural e direção estética, a ausência de um comando claro é um risco existencial. Quem está no leme, definindo a visão para o futuro?
O desafio recai diretamente sobre a EssilorLuxottica. A holding ítalo-francesa adquiriu um ativo cultural poderoso, mas vê o time que o tornava autêntico se dissolver. Manter o apelo da Supreme enquanto a integra a uma estrutura corporativa global será um equilíbrio delicado. A tarefa é evitar que a marca se torne apenas mais um logotipo em um portfólio, diluindo o fator “cool” que a tornou um fenômeno.
O futuro da Supreme, portanto, está em aberto. A marca que definiu o streetwear para uma geração enfrenta agora o dilema clássico de escalar sem vender a alma. As próximas nomeações para os cargos criativos serão o primeiro sinal claro sobre qual caminho a EssilorLuxottica pretende seguir.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hypebeast





