A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu luz verde para o segundo medicamento genérico à base de semaglutida no Brasil. A aprovação, concedida à Germed Farmacêutica e publicada no Diário Oficial, ocorre apenas uma semana após a liberação do primeiro genérico do tipo, da farmacêutica EMS.

O movimento rápido e em sequência não é trivial. Ele sinaliza o fim prático da exclusividade de mercado para medicamentos como o Ozempic e o Wegovy, da Novo Nordisk, no país. Mais do que um procedimento regulatório, a entrada de dois concorrentes de peso em um intervalo tão curto inaugura uma nova dinâmica competitiva para uma das classes de medicamentos mais demandadas da atualidade, os agonistas do receptor de GLP-1, usados no tratamento de diabetes tipo 2.

A competição força a porta do acesso

A aprovação da versão da Germed, logo na esteira da EMS, estabelece um cenário competitivo desde o primeiro dia. A legislação brasileira determina que medicamentos genéricos tenham um preço ao menos 35% inferior ao do produto de referência. Contudo, a presença de múltiplos fornecedores tende a intensificar a disputa por market share, o que pode levar a descontos ainda mais agressivos no varejo farmacêutico, beneficiando tanto o consumidor final quanto os sistemas de saúde público e privado.

A semaglutida transcendeu sua indicação primária para diabetes e se tornou um fenômeno cultural associado à perda de peso, embora seu uso para este fim seja frequentemente off-label. A alta demanda, somada ao custo elevado, criou uma barreira de acesso considerável. A chegada dos genéricos é o passo mais concreto para democratizar o tratamento, potencialmente expandindo sua disponibilidade para uma fatia muito maior da população que, até agora, era impedida pelo preço.

O desafio para Germed e EMS será equacionar escala de produção com uma estratégia de precificação que capture o mercado sem aniquilar as margens. Para a Novo Nordisk, o jogo muda: a defesa de um monopólio dá lugar à necessidade de competir em um ambiente mais pulverizado. A questão que permanece é a velocidade com que essa nova realidade de preços chegará ao balcão da farmácia e aos protocolos do SUS.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney