Um estudo experimental na Espanha acende um alerta sobre a saúde de um dos ecossistemas mais importantes do Mar Mediterrâneo. Pesquisadores do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados (Imedea) constataram que duas algas invasoras podem reduzir em até 50% a biomassa de novas plantas de posidônia, espécie marinha vital para a biodiversidade. A pesquisa foi reportada pela Forbes España.
A principal conclusão é que a proliferação de espécies exóticas representa uma ameaça mais imediata à regeneração da posidônia do que o próprio aumento de CO2 na água, um efeito conhecido das mudanças climáticas. O impacto do dióxido de carbono, segundo os cientistas, foi "limitado" e não trouxe melhorias significativas para o crescimento das plantas jovens.
O ataque em duas frentes
A posidônia, frequentemente chamada de 'pulmão do Mediterrâneo', forma vastas pradarias submarinas que servem de berçário para centenas de espécies e protegem a costa da erosão. O estudo focou no impacto das algas Caulerpa cylindracea e Lophocladia trichoclados. A presença delas não só sufoca as jovens plantas de posidônia, resultando em menos folhas e menor superfície foliar, mas também ataca de forma invisível.
Os cientistas descobriram que as invasoras alteram o microbioma associado às raízes da posidônia. Essa comunidade de microrganismos é fundamental para a nutrição e a capacidade da planta de responder a situações de estresse. Ao reduzir a diversidade bacteriana nas raízes, as algas comprometem a resiliência do ecossistema desde a sua base, afetando a capacidade da posidônia de se estabelecer e prosperar.
Os resultados têm implicações diretas para as políticas de conservação. Segundo Iris Hendriks, pesquisadora principal do estudo, controlar a expansão das algas invasoras pode ser uma das ações mais eficazes para a regeneração natural das pradarias, especialmente em locais como as Ilhas Baleares, onde a preservação da posidônia é uma prioridade. O estudo sugere um reajuste de foco: enquanto a acidificação dos oceanos é um desafio global de longo prazo, o combate a espécies invasoras é uma batalha local e urgente. A sobrevivência das futuras gerações de posidônia depende da gestão de ameaças tanto visíveis quanto microscópicas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




