A jornada de um profissional pode, por vezes, espelhar a trajetória de um setor inteiro. É o caso de Alex Hisatomi, diretor de data analytics da Empiricus, que viu seu salário triplicar em cinco anos, um reflexo direto da ascensão da inteligência artificial no mundo corporativo. A história, narrada em uma matéria do portal Money Times, funciona como um microcosmo da transformação que elevou a análise de dados de uma função de suporte para o centro da estratégia empresarial.
A tese que emerge de sua experiência é clara: a proficiência em IA está deixando de ser um diferencial para se tornar uma competência basilar no mercado de trabalho. A valorização exponencial de Hisatomi não é um fato isolado, mas um sintoma da crescente demanda por profissionais capazes de traduzir grandes volumes de dados em inteligência acionável, uma habilidade que a IA generativa potencializou de forma inédita.
Do "porão" à estratégia
Hisatomi descreve o início de sua carreira na área, então chamada de "database marketing", como o "porão do porão da tecnologia". A anedota ilustra uma realidade recente: há pouco mais de uma década, a gestão de dados era vista como uma atividade secundária, relegada a especialistas em TI com pouca ou nenhuma interface com as decisões de negócio. Eram funções operacionais, distantes do glamour dos desenvolvedores de software ou da criticidade da infraestrutura.
A virada, segundo ele, ocorreu entre 2016 e 2018, quando as empresas começaram a perceber o potencial de técnicas de IA, como machine learning e deep learning, para extrair valor de seus ativos de dados. O que antes era um repositório estático tornou-se uma fonte dinâmica de insights. Com isso, o profissional de dados foi promovido do "porão" para a sala de reunião, e sua remuneração acompanhou essa nova estatura estratégica.
O novo pré-requisito
O movimento, contudo, parece longe de terminar. Na visão de Hisatomi, a próxima fase da revolução da IA não ficará restrita aos especialistas. Ele projeta um cenário em que "todo trabalhador de escritório vai usar mais do que o dobro de inteligência artificial do que usa hoje para conseguir se manter empregado". A afirmação é forte e aponta para uma redefinição fundamental das competências exigidas no mercado.
Para o executivo, dominar ferramentas como ChatGPT e Claude para além do uso básico será um pré-requisito, não mais um bônus. A capacidade de automatizar tarefas, criar agentes e aplicar a tecnologia de forma estratégica no trabalho diário tende a se tornar a nova linha de corte entre os profissionais que avançam e aqueles que, em suas palavras, "vão ficar para trás".
A narrativa de Hisatomi, embora pessoal, serve como um alerta para o mercado. A valorização salarial expressiva é a face mais visível de uma mudança estrutural profunda, que exige uma requalificação contínua e coloca a fluência em inteligência artificial no centro da competitividade profissional para os próximos anos. A questão não é mais "se", mas "quão rápido" os profissionais de todas as áreas conseguirão se adaptar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





