O patrimônio líquido somado das famílias em todo o mundo atingiu um recorde de US$ 570 trilhões em 2025, um avanço de US$ 40 trilhões sobre o ano anterior. No topo da distribuição, os Estados Unidos se consolidam como a nação mais rica, com um patrimônio familiar de US$ 175 trilhões. A China aparece em um distante segundo lugar, com US$ 75 trilhões.
Os números, compilados pela McKinsey & Company a partir de diversas fontes oficiais e reportados pelo Visual Capitalist, desenham um cenário de extrema concentração. Sozinhos, EUA e China respondem por US$ 250 trilhões, ou 43,9% de toda a riqueza familiar do planeta. A análise, contudo, vai além da fotografia da hegemonia: ela expõe os diferentes motores — e fragilidades — que movem as duas maiores economias globais.
A América movida a ações
Nos Estados Unidos, o principal motor do crescimento foi o mercado de capitais. O otimismo em torno da inteligência artificial impulsionou as bolsas e os lucros corporativos, inflando o valor dos ativos financeiros detidos pelas famílias. A riqueza americana, que sozinha corresponde a 30,7% do total mundial, supera a soma de China, Alemanha, Japão, França e Reino Unido.
Este modelo, no entanto, carrega uma marca de profunda desigualdade. Segundo o mesmo levantamento, o 1% mais rico da população americana detém quase um terço de toda a riqueza do país. É um contraste agudo com a base da pirâmide, onde mais de 18% da população vive abaixo da linha da pobreza, evidenciando que os ganhos do mercado de ações não se distribuem de maneira uniforme.
O desafio imobiliário chinês
A segunda posição da China, com seus US$ 75 trilhões, é notável, mas a uma distância de US$ 100 trilhões do líder. O número esconde uma vulnerabilidade: a riqueza do país sofreu uma queda em seu valor "no papel" devido à crise no setor imobiliário, um pilar histórico da poupança das famílias chinesas. O contraste com o dinamismo do mercado de ações americano é direto.
Enquanto isso, a Europa marca presença de forma pulverizada. A Alemanha é a líder regional e terceira no ranking global (US$ 23 trilhões), seguida por França (US$ 16 trilhões) e Reino Unido (US$ 15 trilhões). Embora nenhum país europeu se aproxime dos dois gigantes, nações como Polônia, Irlanda e Espanha registraram alguns dos crescimentos mais rápidos em 2025, indicando dinâmicas regionais próprias.
A fotografia da riqueza em 2025 mostra um mundo economicamente bipolar, mas cujos polos operam com lógicas distintas. De um lado, a exuberância dos mercados financeiros; de outro, a dependência de um setor imobiliário sob forte estresse. A questão que emerge dos dados não é apenas quem é mais rico hoje, mas qual desses motores de criação de valor se provará mais resiliente no longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist



