Os contratos futuros do café arábica na bolsa ICE registraram nesta quinta-feira a menor cotação em cinco semanas. O movimento foi atribuído a uma combinação de clima favorável no Brasil, principal produtor global, e a uma perspectiva otimista para a oferta.
Enquanto o café reage à normalização da oferta brasileira, o açúcar bruto, que também recuou após uma máxima de 16 meses, vive um momento distinto. A leitura do mercado, segundo analistas, é que a queda do açúcar é uma correção técnica, e não uma mudança fundamental no cenário de um iminente déficit de oferta.
O fator Brasil
A pressão sobre o arábica tem um epicentro claro: o Brasil. A recuperação das exportações nacionais está aliviando a escassez de curto prazo que sustentava os preços. Segundo a analista Judy Ganes, citada em reportagem do Money Times, os armazéns no país estão se enchendo e as exportações ganhando ritmo, o que afasta preocupações sobre a cobertura de entregas imediatas.
As chuvas recentes são um sinal positivo para a floração que definirá a próxima safra, alimentando projeções otimistas. A consultoria StoneX, por exemplo, elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para um recorde de 77,2 milhões de sacas. O mercado, que antes precificava a escassez, agora começa a embutir a abundância.
Açúcar: uma pausa estratégica
No mercado de açúcar, o roteiro é outro. A queda recente é vista como uma consolidação após o preço atingir seu maior nível desde abril de 2025. Analistas como Michael McDougall apontam que não há um motivo fundamental para a baixa, mas sim um movimento de realização de lucros após a forte alta.
A expectativa de um déficit global, projetado em 300 mil toneladas pela Organização Internacional do Açúcar para a safra 2026/27, continua sendo o principal vetor de preços. Dados de uma queda na produção no centro-sul do Brasil no início de agosto reforçam essa tese, sugerindo que a recente calmaria pode ser temporária.
O movimento das duas commodities ilustra a dinâmica do mercado agrícola: enquanto o café responde a sinais concretos de oferta abundante no presente, o açúcar opera com base nas expectativas de uma escassez futura. A questão é qual narrativa prevalecerá nos próximos meses e com que intensidade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





