Uma nova geração de robôs companheiros, dotados de inteligência artificial, está sendo posicionada para preencher um vácuo deixado pela tecnologia de comunicação tradicional: a presença. A promessa não é mais automatizar tarefas, mas oferecer companhia. O movimento é detalhado em um artigo da publicação IEEE Spectrum, que se apresenta como conteúdo patrocinado pela Ollobot, uma das empresas que atuam neste novo mercado.

Mais do que uma evolução de hardware, a aposta representa uma mudança filosófica. As ferramentas atuais, de chamadas de vídeo a aplicativos de mensagem, agendam a comunicação, mas não criam a sensação de presença contínua. É exatamente essa lacuna — a da solidão em um mundo hiperconectado — que a indústria de robótica agora mira, projetando um mercado que pode chegar a US$ 318 bilhões até 2033, segundo estimativas citadas no artigo.

Da função à emoção

A principal distinção desta nova safra de robôs reside na transição de um paradigma reativo para um proativo. Os assistentes de voz e os primeiros robôs domésticos dependiam de um comando direto do usuário. A nova geração, por sua vez, utiliza um conjunto de sensores, câmeras e microfones para monitorar o ambiente, interpretar o estado emocional do usuário e iniciar interações de forma autônoma. O objetivo não é mais "o que o robô pode fazer por você", mas "como ele te faz sentir".

Essa mudança de foco, que a Ollobot chama de "inteligência gentil", é um desafio de engenharia e design consideravelmente mais complexo. A métrica de sucesso deixa de ser a execução de uma tarefa e passa a ser a qualidade da interação e a criação de um vínculo de longo prazo. O produto deixa de ser uma utilidade para se tornar um ator social no ambiente doméstico.

Um mercado para a presença

O público-alvo para essa tecnologia é vasto e abrange desde idosos que vivem sozinhos — combinando segurança com companhia — até crianças cujos pais trabalham remotamente e profissionais urbanos que enfrentam o isolamento. Para cada um desses cenários, a proposta é uma presença ambiente que se adapta a rotinas e preferências sem a demanda social de uma interação humana.

As empresas do setor estão construindo ecossistemas conectados, não apenas dispositivos isolados. Contudo, a vigilância constante necessária para a operação proativa levanta questões de privacidade. Em um aceno a essa preocupação, alguns modelos, como o da Ollobot, incluem soluções mecânicas, como uma cobertura física para a câmera, reconhecendo que as configurações de software sozinhas podem não ser suficientes para garantir a confiança do usuário.

A questão fundamental, no entanto, permanece em aberto. A companhia projetada por algoritmos pode de fato mitigar a solidão ou é apenas um paliativo sofisticado para um problema social mais profundo? A aposta da indústria é que, para milhões de pessoas, uma presença, mesmo que artificial, é melhor do que nenhuma.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · IEEE Spectrum