A Artisan AI, startup que ganhou notoriedade viral com o slogan agressivo “pare de contratar humanos”, executa agora um giro de 180 graus em sua comunicação. A empresa, que oferece uma agente de IA chamada Ava para automatizar tarefas de vendas, está abandonando a retórica da substituição da força de trabalho por uma nova narrativa, focada em potencializar a produtividade humana.

O produto, contudo, permanece o mesmo. A mudança é puramente de posicionamento: de vilã da automação a parceira do trabalhador. A questão que fica é se a manobra é suficiente para reverter uma imagem pública profundamente negativa, construída sobre a ansiedade da substituição de empregos por máquinas, um sentimento compartilhado por mais da metade dos americanos, segundo pesquisas. A reportagem original é da Fast Company.

Do 'ragebait' ao 'hopecore'

A estratégia inicial da Artisan foi um caso clássico de ragebait: usar uma mensagem provocadora para gerar engajamento e visibilidade massiva. O CEO, Jaspar Carmichael-Jack, admitiu que o slogan rendeu bilhões de impressões para a marca. O objetivo era chocar para se tornar conhecido, e a missão foi cumprida com sucesso, ainda que ao custo de se tornar “a empresa mais odiada de São Francisco”, como ironiza o próprio vídeo de reposicionamento.

A nova fase adota o que se poderia chamar de hopecore. Em um vídeo promocional, a empresa agora argumenta que o trabalho repetitivo é um desperdício do potencial humano. “Eles me construíram para fazer o trabalho que vocês não deveriam estar fazendo”, narra a própria IA, Ava. O esforço de rebranding inclui cobrir seus antigos outdoors com mensagens como “Não pare de contratar humanos” e “Eu não vou tomar o seu emprego”. A tese do CEO é que “o ponto nunca foi ter menos humanos, mas parar de desperdiçá-los em um trabalho que nunca foi humano para começo de conversa”.

Uma batalha de reputação

A Artisan reconhece que tem uma montanha de relações públicas negativas para escalar. O novo discurso está mais alinhado ao sentimento do público, mas o estrago reputacional pode ser duradouro. Recentemente, a empresa voltou a viralizar, desta vez por uma foto de seu escritório que gerou comentários hostis nas redes sociais, com usuários afirmando que o local deveria ser “bombardeado”.

Carmichael-Jack reagiu à hostilidade com uma tentativa de leveza, afirmando que, “como uma empresa pró-humanos, agora estamos do lado deles”. A resposta ilustra o delicado equilíbrio que a Artisan tenta encontrar: reconhecer o ódio que gerou enquanto tenta convencer o mercado de que sua nova identidade é genuína. O caso se torna um experimento em tempo real sobre os limites do rebranding na era da IA, testando se uma empresa pode se dissociar de uma mensagem anti-trabalhador sem alterar a tecnologia que a fundamenta.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company