Vinte anos e duas empresas vendidas depois, Sunny Gupta e o fundo de venture capital Madrona estão apostando juntos pela terceira vez. Gupta, que ao lado de Kurt Shintaffer fundou e vendeu a Apptio para a IBM por US$ 4,6 bilhões, acaba de lançar a Thira, uma startup com a ambição de usar inteligência artificial para automatizar o back-office de grandes corporações.
A nova companhia nasce com um cheque de US$ 21 milhões em uma rodada semente liderada pela Madrona, o mesmo investidor que apoiou Gupta desde a iConclude (vendida para a Opsware) até o exit bilionário da Apptio. A tese é que a era da IA generativa permite ir além de apenas dar visibilidade aos problemas — agora é possível resolvê-los de forma autônoma.
A aposta na reputação
A Thira entra em um campo de batalha concorrido. A ServiceNow, gigante do setor, adquiriu a Moveworks no fim do ano passado justamente para incorporar a resolução autônoma de tickets de TI em sua plataforma. Outras startups como Aisera e Rezolve.ai também disputam o mesmo território. A aposta da Thira, portanto, não é apenas em tecnologia, mas em capital relacional.
Gupta e Shintaffer passaram anos construindo uma rede de contatos com CIOs em todo o mundo. Essa agenda é o principal ativo da startup para conseguir os primeiros contratos e validar seu produto. Segundo a GeekWire, a empresa já trabalha com 10 grandes companhias como parceiras de desenvolvimento. O time foi reforçado com executivos de peso vindos de Atlassian, Oracle e Databricks, sinalizando uma aposta em talento sênior desde o dia zero.
De visibilidade à execução
O movimento da dupla representa uma evolução natural da Apptio, cuja principal função era ajudar gestores de tecnologia a entender onde o dinheiro estava sendo gasto. A Thira quer ser o "sistema de execução" que age sobre essa informação. A promessa é um "back-office que se gerencia sozinho", começando pela resolução de chamados de TI — como configurar o laptop de um novo funcionário ou resetar uma senha — e com planos de expandir para finanças e RH.
Segundo Gupta, a ideia surgiu de conversas com CIOs que, frustrados com ineficiências, já pediam ferramentas de automação. A percepção é que a tecnologia finalmente amadureceu a ponto de tornar essa visão viável. Para a Madrona, que acompanha a jornada de Gupta há duas décadas, esta é "de longe, a maior oportunidade que perseguimos juntos", nas palavras do sócio Matt McIlwain, que se junta ao conselho da Thira.
O desafio será traduzir a credibilidade dos fundadores e o capital inicial em um produto que entregue mais valor que as soluções já estabelecidas. O mercado não espera, e a corrida pela automação do trabalho de escritório está apenas começando.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · GeekWire




