Duas baleias beluga e quatro golfinhos foram transferidos do parque Marineland, no Canadá, para o Oceanogràfic de Valência, na Espanha, após uma complexa operação de resgate internacional. Os animais, que estavam no parque canadense fechado há mais de um ano, enfrentavam a possibilidade de eutanásia.

Segundo reportagem da Forbes España, o movimento foi coordenado pela Associação de Zoos e Aquários (AZA) e um consórcio de instituições credenciadas. A operação expõe uma faceta cada vez mais relevante e debatida dos aquários modernos: sua atuação como uma rede de segurança para animais em instalações que se tornaram inviáveis, seja por falência ou, como visto recentemente, por conflitos geopolíticos.

A logística de um resgate aéreo

A transferência dos seis animais — as belugas Cleopatra e Jelly Bean e os golfinhos Tsunami, Lida, Echo e Marina — foi uma proeza logística. O processo envolveu um voo fretado de sete horas de Toronto a Valência, com os animais alojados em módulos de transporte customizados e acompanhados permanentemente por equipes veterinárias. Esta é a quinta realocação de um total de 30 belugas e quatro golfinhos que viviam em Marineland, com outros exemplares sendo enviados para aquários nos Estados Unidos.

A complexidade, no entanto, vai além do transporte. Durante meses, especialistas avaliaram a saúde de cada animal e, crucialmente, planejaram os grupos de viagem com base nas relações sociais existentes. O objetivo, segundo os organizadores, era manter os vínculos para facilitar a adaptação. Como destacou Daniel García-Párraga, diretor de operações zoológicas do Oceanogràfic, quando a sobrevivência está em risco, os aquários têm a responsabilidade de mobilizar sua expertise e infraestrutura para a proteção animal.

O novo papel dos mega-aquários

O Oceanogràfic de Valência é o único aquário europeu a participar do resgate, um reflexo de ser a única instituição do continente com a acreditação da AZA, a entidade que coordena a operação. Este selo de qualidade se torna, na prática, um passaporte para participar de uma rede global de cooperação que lida com crises de bem-estar animal em cativeiro.

A instituição espanhola já havia demonstrado essa capacidade em junho, ao resgatar duas outras belugas, Plombir e Miranda, do aquário de Kharkiv, na Ucrânia, em plena zona de guerra. A experiência adquirida nesse resgate de alto risco foi aplicada agora, consolidando um protocolo para operações de emergência. O que emerge é um sistema onde aquários de ponta atuam não apenas como centros de exibição e pesquisa, mas como uma espécie de força-tarefa para evacuações complexas.

Por ora, os seis recém-chegados permanecem em áreas de quarentena, longe do público, para um período de adaptação sem prazo definido. O sucesso da transferência é inegável, mas levanta questões sobre o futuro da vida selvagem em cativeiro. À medida que zoológicos e aquários mais antigos fecham as portas, a indústria se vê criando uma sofisticada e dispendiosa infraestrutura para gerenciar o seu próprio legado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España