A Carleton College, uma faculdade privada de artes liberais em Minnesota, anunciou que está eliminando os empréstimos estudantis de seus pacotes de ajuda financeira. A instituição se junta a um clube exclusivo que inclui nomes como Princeton, Harvard e Yale, que optaram por substituir os empréstimos por bolsas e doações que não precisam ser reembolsadas.

O movimento é uma resposta direta à crise de endividamento estudantil nos Estados Unidos, que já soma US$ 1,7 trilhão e afeta mais de 40 milhões de pessoas. A leitura aqui, no entanto, é que a iniciativa, embora louvável, funciona mais como um sintoma da desigualdade do sistema do que como uma solução escalável. Trata-se de um oásis de privilégio em um deserto de dívidas, acessível apenas a instituições com dotações bilionárias.

Um modelo para poucos

A estratégia de Carleton é financiada por US$ 80 milhões em doações, um modelo que depende inteiramente da filantropia. Princeton foi a pioneira em 2001, e o fato de que, mais de duas décadas depois, o movimento ainda se restringe a um punhado de universidades de elite demonstra sua principal limitação: é um modelo para quem pode, não para quem precisa. A grande maioria das universidades públicas e privadas nos EUA não possui os recursos para replicar a iniciativa.

Segundo Carleton, a mudança beneficiará principalmente estudantes de famílias de renda média, permitindo que graduados tomem decisões de carreira baseadas em suas "ambições profissionais" em vez da necessidade de quitar dívidas, como afirmou a reitora Alison Byerly. Para os poucos contemplados, a política é transformadora. Para o sistema como um todo, ela acentua a divisão entre uma educação de elite, livre de dívidas, e uma educação de massa, financiada por empréstimos cada vez mais pesados.

Enquanto essas instituições criam refúgios financeiros para seus alunos, a solução sistêmica para a crise da dívida permanece um campo de batalha político. A tendência de eliminar empréstimos é um paliativo localizado, que expõe a fratura estrutural do ensino superior americano, onde o acesso à educação de qualidade sem o fardo da dívida se torna, cada vez mais, um artigo de luxo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider