A defesa do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, enfrenta um momento de instabilidade crucial. O advogado Eugênio Aragão, subprocurador-geral da República aposentado, formalizou sua saída do caso nesta terça-feira, 19, em meio às tratativas para uma possível delação premiada do executivo. A decisão, segundo comunicado oficial, foi motivada por divergências procedimentais com o advogado Davi Tangerino, que permanece à frente da estratégia de defesa.

O afastamento de Aragão ocorre em um estágio delicado do processo, enquanto os anexos da colaboração estão sendo elaborados. Paulo Henrique Costa encontra-se custodiado no Complexo Penitenciário da Papuda, onde tem se dedicado à formalização do material. Embora o ex-procurador tenha iniciado contatos preliminares com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o termo de confidencialidade que oficializa o rito da delação ainda não foi assinado, mantendo o cenário em aberto.

O peso da trajetória na estratégia jurídica

A figura de Eugênio Aragão traz um peso institucional específico devido à sua longa carreira no Ministério Público Federal. Sua nota de esclarecimento enfatiza a necessidade de "provas consistentes e inequívocas" para qualquer iniciativa de colaboração. Esse posicionamento sugere uma cautela rigorosa, possivelmente em contraste com a abordagem adotada por outros integrantes da defesa. Para um investigado, a escolha do advogado não é apenas uma questão de técnica processual, mas de alinhamento com a própria narrativa que será apresentada aos investigadores.

Dinâmicas de poder e a delação como saída

A delação premiada, como instrumento de defesa, exige uma coordenação absoluta entre o cliente e seus advogados. Quando surgem divergências sobre o procedimento, a confiança — pilar central dessa estratégia — é colocada à prova. O caso de Paulo Henrique Costa, preso sob suspeita de negociar propina em imóveis para favorecer o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, coloca em xeque a governança do BRB durante sua gestão. A transição da liderança jurídica para Davi Tangerino agora dita o ritmo das próximas movimentações junto ao Judiciário.

Implicações para o caso BRB

A saída de um nome com o histórico de Aragão pode sinalizar um reposicionamento na estratégia de defesa, ou até mesmo um eventual endurecimento nas negociações com a PGR. O mercado financeiro e os órgãos de controle observam atentamente, dado que as suspeitas envolvem interesses de instituições privadas dentro de um banco público distrital. A continuidade das tratativas sem a presença de um ex-membro da cúpula do Ministério Público altera a dinâmica de interlocução com os procuradores responsáveis pelo inquérito.

O que observar a seguir

O desdobramento imediato será a definição sobre a assinatura, ou não, do termo de confidencialidade. A ausência de Aragão levanta questionamentos sobre se a estratégia de colaboração será mantida nos mesmos termos originalmente discutidos. O desenrolar deste caso continuará a ser um termômetro importante para entender os limites da atuação de instituições financeiras em contextos de possível corrupção sistêmica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney