A Aena, operadora espanhola de infraestrutura aeroportuária, anunciou um investimento de 14 milhões de euros para a implementação de uma nova planta de energia geotérmica no Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas. O projeto, que já se encontra em fase de licitação, abrange a redação do plano técnico e a execução das obras, com um cronograma de implantação de 26 meses, seguido por um período de 24 meses destinado à manutenção da infraestrutura.

Esta iniciativa integra a estratégia de sustentabilidade da companhia, alinhada ao seu Plano de Ação Climática. O objetivo central é acelerar a descarbonização das operações aeroportuárias por meio da adoção de fontes renováveis, reduzindo a pegada de carbono de um dos hubs de tráfego aéreo mais movimentados da Europa.

A tecnologia por trás da infraestrutura

O sistema será composto por um campo de captação geotérmico de grande escala, totalizando 400 poços com 140 metros de profundidade cada. Esses poços estarão interconectados e vinculados a bombas de calor geotérmicas, responsáveis por converter a energia térmica extraída do subsuelo em climatização para as instalações do aeroporto.

A tecnologia de baixa entalpia utilizada permite um circuito fechado de troca térmica. Este método é considerado eficiente e de baixo impacto ambiental, pois minimiza a alteração do terreno após a conclusão das obras e não requer a extração de recursos minerais, focando exclusivamente no intercâmbio de calor com o solo.

Impacto energético e operacional

Uma vez operacional, o sistema tem capacidade para atender a uma parcela significativa do consumo base de climatização do aeroporto. A energia térmica gerada será equivalente ao consumo anual de aproximadamente 1.700 residências, um marco relevante para a eficiência energética de uma instalação de grande porte.

Além do ganho ambiental, a Aena busca reforçar o seu autoabastecimento, diminuindo a vulnerabilidade da operação a variações nos preços e na oferta de combustíveis fósseis. A medida reflete uma tendência crescente em grandes infraestruturas globais de buscar resiliência energética através de fontes locais e renováveis.

Implicações para o setor aeroportuário

A transição energética em aeroportos apresenta desafios complexos, dada a escala de consumo necessária para manter terminais operando 24 horas. O investimento da Aena em geotermia demonstra que a solução para a descarbonização não depende apenas de fontes intermitentes, como a solar ou eólica, mas também de tecnologias de base que ofereçam estabilidade térmica.

Para reguladores e competidores, este movimento sinaliza um padrão de exigência crescente. Aeroportos que não investirem em modernização infraestrutural enfrentarão pressões de custos operacionais e metas de sustentabilidade cada vez mais rígidas, tanto por parte de governos quanto de companhias aéreas que buscam reduzir suas emissões de Escopo 3.

Perspectivas futuras

Embora o projeto represente um passo importante, resta observar como a Aena escalará essa tecnologia para outros aeroportos de sua rede. A viabilidade econômica de poços geotérmicos depende fortemente das condições geológicas locais, o que pode limitar a replicação do modelo em outros hubs.

O mercado de infraestrutura deve acompanhar se a eficiência técnica prometida será atingida dentro do prazo de 26 meses. A capacidade de integrar sistemas de energia limpa sem interromper as operações críticas será o principal teste para a gestão da companhia nos próximos dois anos.

O projeto coloca a infraestrutura espanhola na vanguarda da transição energética, testando a viabilidade de sistemas geotérmicos em ambientes de alta demanda. O sucesso dessa empreitada poderá definir o padrão para futuras modernizações em aeroportos ao redor do mundo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España