A Agentiq, uma nova startup com cerca de US$ 4 milhões em capital de risco, lançou nesta semana uma plataforma que busca democratizar o investimento nos ganhos futuros de atletas profissionais. A ideia central é oferecer aos atletas um adiantamento em dinheiro em troca de uma porcentagem de seus futuros ganhos em campo, permitindo que investidores, incluindo fãs, comprem frações dessas futuras receitas. A empresa se propõe a ser um "mini Robinhood" para o mercado de ativos esportivos, um setor onde, segundo o cofundador Zach Kurtz, "os consumidores estão sendo deixados de fora de toda a criação de valor".
Fundada no outono passado por Kurtz e Reuben Abraham, a Agentiq opera sob regulamentação da U.S. Securities and Exchange Commission (SEC). Inicialmente focada no beisebol, a empresa já fechou acordos com jogadores da MLB como Justin Martinez e Esmerlyn Valdez, além de prospectos de destaque. A estratégia da Agentiq para se diferenciar de tentativas anteriores, como a Fantex e a Big League Advance, reside em manter grande parte de sua tecnologia internamente, o que, segundo eles, permitirá a cobrança de taxas mais baixas. Atualmente, a empresa cobra uma taxa de corretagem de 1% e uma taxa de negociação única de cerca de 4% dos rendimentos brutos dos atletas. Para os investidores, há uma taxa de manutenção de 2,5% sobre as distribuições.
Aprendendo com os erros do passado
A história de investimentos em ganhos futuros de atletas é marcada por sucessos limitados e fracassos notórios. A Fantex, que tentou um modelo semelhante com jogadores da NFL em 2012, faliu em 2016, enfrentando problemas como baixo volume de negociação e disputas legais, como a que resultou em uma dívida de quase US$ 1,15 milhão com o jogador Mohamed Sanu. Outros exemplos recentes incluem a Finlete, que investiu no arremessador da MLB Emmanuel Clase, e que também encontrou percalços, exemplificando a alta volatilidade e os riscos não-financeiros atrelados a carreiras de atletas. Outro caso emblemático é o de Fernando Tatis Jr., que parou de pagar a Big League Advance em 2024, gerando uma disputa judicial que pode custar-lhe quase US$ 3,74 milhões.
O modelo de negócio da Agentiq
A Agentiq busca capitalizar sobre as lições aprendidas com essas experiências. "Em termos de investir em humanos, existem riscos inerentes", reconhece Kurtz. No entanto, a empresa aposta que, com uma equipe experiente em escalonar produtos de tecnologia financeira e um ambiente regulatório mais robusto, seu modelo tem maior probabilidade de sucesso. A ambição é expandir o leque de serviços, incluindo a oferta de seguros, a possibilidade de investidores negociarem seus interesses entre si e a criação de "cestas" de jogadores para diversificação. A meta é oferecer o máximo de opcionalidade aos consumidores para mitigar riscos.
Implicações para o mercado esportivo e financeiro
O lançamento da Agentiq reflete uma tendência crescente de financeirização de ativos no esporte, buscando novas fontes de capital e engajamento para fãs. Para os atletas, representa uma alternativa para obter liquidez imediata, embora com o ônus de ceder uma parte de seus ganhos futuros. Para os investidores, abre a porta para um mercado de nicho, com potencial de altos retornos, mas também com riscos significativos, dada a imprevisibilidade das carreiras esportivas e a possibilidade de escândalos ou lesões. A capacidade da Agentiq de gerenciar esses riscos e manter a confiança dos investidores será crucial para seu sucesso a longo prazo.
Perguntas em aberto
Ainda é cedo para determinar se a Agentiq conseguirá superar os obstáculos que derrubaram seus antecessores. A sustentabilidade do modelo de negócio dependerá da sua capacidade de atrair atletas de alto potencial, garantir retornos consistentes para os investidores e gerenciar eficazmente os riscos inerentes ao investimento em capital humano. A expansão para outros esportes e a introdução de novos produtos, como cestas de jogadores e opções de seguro, serão testes importantes para a resiliência e adaptabilidade da plataforma.
A aposta da Agentiq em transformar ganhos futuros de atletas em ativos negociáveis para o público geral marca mais um capítulo na evolução do mercado financeiro esportivo, onde a inovação busca equilibrar risco e recompensa em um cenário volátil. Acompanhar seus próximos passos será fundamental para entender o futuro deste segmento.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Front Office Sports





