A Ágora Investimentos, corretora do Bradesco, realizou uma única, porém significativa, alteração em sua carteira recomendada de dividendos para o mês de setembro: a saída dos papéis da holding Itaúsa (ITSA4) para dar lugar às ações do Itaú Unibanco (ITUB4). A carteira, que mantém cinco ativos com peso igualitário de 20%, projeta um retorno médio com dividendos de 7,4% para os próximos 12 meses.

O movimento é mais do que uma simples troca de ticker. A decisão de investir diretamente no banco em vez de sua controladora é uma aposta na pureza da performance operacional. A leitura é que, no cenário atual, a exposição direta à capacidade de geração de caixa do maior banco privado do país supera os benefícios da diversificação — e o desconto — inerentes à estrutura de uma holding.

O prêmio pela qualidade

Na avaliação da Ágora, o Itaú Unibanco se destaca como a melhor opção de qualidade entre os bancos tradicionais. A análise, reportada pelo Money Times, aponta para um Retorno sobre o Patrimônio (ROE, na sigla em inglês) líder no setor, execução consistente e avanços em tecnologia e gestão de crédito. Essa percepção justifica por que o banco negocia com um prêmio em relação a seus pares, medido pelo indicador preço sobre valor patrimonial (P/BV).

Para a gestora, a avaliação mais alta é compensada por um nível de lucratividade superior e mais sustentável, além de um dividend yield considerado atrativo no curto prazo. Ao optar por ITUB4, o investidor contorna o chamado "desconto de holding" frequentemente aplicado à Itaúsa, que, embora seja uma pagadora de dividendos histórica, tem seu valor atrelado a um portfólio mais amplo de ativos, nem todos com a mesma performance do setor bancário.

Risco, retorno e o cenário macro

O ajuste na carteira ocorre após um mês de desempenho negativo. Em agosto, o portfólio de dividendos da Ágora acumulou uma queda de 5,4%, desempenho inferior ao do Ibovespa, que recuou 1,6% no mesmo período. A inclusão do Itaú pode ser interpretada como um movimento para ancorar a carteira em um ativo de perfil mais defensivo, cuja performance é sustentada por fundamentos sólidos, como o controle da inadimplência e a expansão da margem financeira observados no segundo trimestre.

A tese da Ágora também enxerga um potencial de valorização para o papel em um ciclo de redução da taxa de juros. A combinação de um negócio resiliente com a possibilidade de ganhos de capital em um ambiente macroeconômico mais favorável posiciona o ativo como uma escolha estratégica para além dos dividendos.

A troca de Itaúsa por Itaú, portanto, reflete uma visão tática sobre o momento do mercado. É uma aposta de que a clareza operacional e a previsibilidade de resultados do banco são mais valiosas do que a complexidade estrutural da holding, especialmente após um período de volatilidade. A performance relativa dos dois papéis nos próximos meses servirá como um termômetro para a validade dessa tese.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times